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Serviço de utilidade pública

Eu adoro dar informações. A praia? É pra lá! O metrô? No fim desta rua. Mercado? Tem ali, ó! Restaurante barato? O que mais gosto fica na próxima esquina. Preço bom, hein… Gosto tanto que já ando na rua me oferecendo aos perdidos, sorrisinho de vendedor de loja colado na boca, a pose submissa de quem veio ao mundo pra ajudar as pessoas.

Não chego a me oferecer com o clássico “Precisa de ajuda?”, que a timidez me impede um gesto assim, ousado demais pra minha personalidade. Mas vou me aproximando, solícito, encurtando o passo, olhando de rabo de olho os que parecem desnorteados e, quase sempre, vem a pergunta?

– Moço sabe onde fica a…?

Aí, dou o meu melhor: faço gestos, aponto, explico, às vezes em outra língua, onde fica o tal lugar. Dou referências precisas, marcas explícitas do caminho, recomendo procedimentos – não vá por este lado, que é mais perigoso – , indico o uso do filtro solar e lembro dos cuidados que se deve ter com o celular nas ruas do Rio de Janeiro. E sigo, depois, o meu próprio caminho, satisfeito, dever cumprido, por ter ajudado as duas senhoras que só queriam achar a clínica em que tinham consulta marcada.

Tenho tido, porém, ultimamente, uma concorrência desleal, que me rouba cada vez mais os clientes: o GPS. Quando já estou quase sendo abordado, pronto pra começar o show de simpatia e de informações precisas que tenho pra despejar sobre o grupo, alguém entre eles, olho vidrado no smartphone, grita pros demais;

– Hey guys, the beach is that way!

E lá vai o estraga-prazeres liderando os incautos, guiando-se pelo celular. Se inventarem um aplicativo que, além de mostrar o caminho, ainda dá conselho, alerta do perigo e recomenda restaurante barato na esquina, serei irremediavelmente descartado.

Enquanto isso não acontece, continuo a andar pelas ruas, o sorriso preparado, as mãos estendidas, sempre pronto para auxiliar uma pessoa perdida  — espécie em extinção – que precise das minhas orientações.

Pro Centro? Pega o 415, ali naquele ponto. Ele vai pelo Aterro. A viagem é mais rápida e mais bonita. De nada! Você também!


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Sobre

Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.

Com uma equipe formada por escritores de diferentes idades e áreas do conhecimento, buscamos sempre oferecer conteúdo de qualidade, promovendo o diálogo entre gerações e perspectivas diversas.

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