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O depois da saudade

Pensei que eu estava vivendo algo bonito e estava, mas nessa realidade o que sobrou pra nós românticos foi apenas amores tipo a vida de efeméride. Coitado do amor porque falam mal dele? Quando a culpa não é dele, sinto pena. Quem deveria levar a culpa são as pessoas e o que fazem com ele e ainda falam mal e dizem ainda que não acreditam mais no pobre do amor que só quer amar e ser amado. Que injustiça.

Fico vendo essas ruas, estradas e BRs que nos separava e você já esteve em uma delas e voltou pra mim. A noite onde as casas brilham e bate um vento gelado depois varia de sol forte a e chuvas que destroem casas, mas daqui nada sei. Sempre que eu passar naquele muro ou perto daquelas sorveteria que você me levou e você não verá mais, mas eu ainda vou passar novecentas vezes e toda vez vou lembrar de você, vou estar por aqui lembrando. Eu ainda queria conhecer purê com cachorro quente e achei uma ideia tão louca, eu ainda queria conhecer a cidade que faz 4 estações do clima em um dia.

Parecia tão urgente você voltar e não tinha espaço pra mim. Logo você que não parecia não ter pressa de ir embora toda vez que nos víamos. Agora foi como água que escorre pelas minhas mãos, tentei segurar, mas você já não conseguia ficar. Tentei segurar aquele instante que nada foi decidido, ainda tem possibilidade do sim. Nada do que eu fizesse iria mudar sua rota. Eu queria romantizar finais como aqueles encontros de repente depois de anos, mas conheci você e eu estava no meio do meu livro, agora que não nos voltamos a nos ver e eu não terminei de ler o livro. Fiquei na mesma página.

Despretensiosamente cheguei a uma conclusão do porque eu queria concertar corações a custo do meu despedaçado?  E era um lugar bonito que eu sempre quis ir, mas se fosse agora eu não saberia aproveitar e valorizar esse lugar  foi ai que eu percebi que eu era o lugar bonito que alguém não conseguia apreciar porque não estava inteiro. Eu fui seu lugar bonito por um tempo.

Agora você esta perto de mim, mas estaremos longe e daqui a um tempo fisicamente e emocionalmente mais ainda e esse pra sempre sem você parece não caber no meu futuro e isso eu digo pra você? Qual solução você me daria? E nas suas histórias futuras, eu? Em qual versão eu vou virar? Nem quando me despedia você olhava pra trás e nem na última vez você não olhou pra trás. Não foi o maior corte que já tive, mas machucou ainda sim. Achava que você ajudava as pessoas a cicatrizarem e não fazer feridas. Levo comigo o que foi verdadeiro até onde você conseguiu, mas é diferente de saber permanecer. Agora fiquei com sua presença na ausência. Parece que me identifico mais nesse lugar de dor porque já estive lá mias vezes, não me é estranho.

Meu gesto, eu sabia que aquela era a última vez que eu seguraria a sua mão e foi consciente, no meio daquilo tudo, porque foi quando tudo começou e queria fazer isso por último e sai dali ainda sentindo amor. Teve o nosso último adeus, mas queria só que fosse um pesadelo em que acordamos e nos sentimos aliviados por ter sido só um pesadelo, pois pensava em você como alguém que nunca faria isso comigo.

Eu sou a pessoa que abrem mão pareço que sou a mais fácil de deixarem, mas é apenas uma incapacidade, mas escolhida por pessoas que não sabem ficar. Uma parte sua eu não conseguia acessar só via que morava ainda uma tristeza e queria resolver, queria ser essa pessoa, mas não dependia de mim. Os dias ensolarados pareciam tristes, me desfaço, coração bagunçado, não me reconheço, perco a fome e me faz chorar. Parece soco no estomago, mas ai lembro que hoje foi o primeiro dia sem chorar. Vou sentir saudade sem dor e agora vejo que dá pra sentir saudade e continuar. Afinal acho que fui um imprevisto bom na sua vida porque sua distância não foi fria, só distante.

Entre declarações e promessas de amor o que me conquistou foi você saber que minha hesitação era medo de falar, era quando me deu a maior parte que tinha cream cheese. eu não sabia que naquela semana seria o nosso último momentos juntos, se eu soubesse que aquela seria a nossa última brincadeiras e conversas. Por um tempo comida japonesa me embrulhava meu fígado. Fiquei orgulhosa de mim por saber ser vulnerável as vezes procuramos respostas porque parece que elas dão um sentido consciente a dor e que de algum jeito pode acalentar um pouco mais o sentimento e por isso por semanas tentei e entender. Por outro lado você não sabia amar da forma que dizia admirar.

Hoje tentei olhar de um lado diferente da janela pra ver se algo dentro de mim mudava também. Tentei mudar o ângulo da situação e fiz poesia. Olhando essas casas e estradas a noite lembro ainda de você.  Nunca entendi tanto de pequenos infinitos  e não do amor que chegue e fique, mas eu ainda não deixei de acreditar no amor, no meu último amor que virá, aquele que queira ficar. Talvez seja uma tola por ainda acreditar no amor porque tudo que vivo só me aproxima do que eu realmente quero. Amar o amor.


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Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.

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