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Poeta, escritora, professora de Literatura, roteirista e estudante, sempre!

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FORA DO PICADEIRO

– O circo chegou!

Gritava o menino, correndo casa adentro. Suas mãos batiam agitadas, contando para a mãe sobre a entrada do circo no pequeno bairro. Descrevia cada detalhe das roupas, dos personagens, cores e objetos. Estava simplesmente fascinado!

 Foi até a cozinha, pegou uma panela grande e começou a bater com a colher de pau, tentando imitar o som da banda. A mãe brigou, e ele saiu para o quintal fazendo piruetas e repetia a mesma frase:

– O circo chegou!

 Durante o jantar, perguntou:

– Vamos amanhã?

 – Amanhã, não. Iremos no domingo na sessão da tarde.

– Poxa, mãe! O moço do chapéu preto, que falava no megafone, disse que amanhã é a estreia, terá muitas surpresas!

– Eles repetem tudo no dia seguinte, filho!

– Como a senhora pode saber?

– Já fui muitas vezes ao circo, quando criança. Na época, era permitido animais no circo. Tinha elefante, macacos e até um leão!

– O que você mais gostou, mamãe?

– Do palhaço!  É um espetáculo muito divertido, vale a pena sim! respondeu sorrindo.

O menino ficou com olhar distante e muitas dúvidas. No dia seguinte, acordou determinado com sua profissão no futuro. Seria palhaço de circo! Todos gostam do palhaço porque é o mais bonito, sempre engraçado, faz muitas brincadeiras e é querido por adultos e crianças!

Um tio do menino chegou para visitar a família. Imediatamente, o menino contou a novidade e pediu para dar um passeio pelo bairro.

Saíram conversando sobre as diferenças entre a cidade do interior e os centros urbanos. Falou que na cidade as pessoas são mais rígidas, às vezes indiferentes com detalhes e mais sérias. Já estavam bem próximos da grande praça. Viram o circo montado e parte da lona de entrada aberta. O pequeno não perdeu tempo, rapidamente entrou e ficou desapontado com o que viu. Muita gente trabalhando, fazendo limpeza, e um dos homens estava sem camisa, com a barba por fazer, com uma cara feia, brigava com outros, gesticulava e estava falando alguns palavrões.

Um outro homem, mais magro, aproximou-se do menino e indagou:

– O que você quer rapaz? Não abrimos ainda. Está muito cedo para a estreia!

– Eu queria falar com o palhaço, mas não sei quem é…

O homem apontou para um outro que estava sem camisa.

– Mas ele não é o dono?

 – Não, ele é o palhaço!

O menino voltou para casa em silêncio. No domingo tão esperado foi ao circo, brincou, aplaudiu, porém não olhou para o palhaço!

Ivone Rosa

@profaivonerosa

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