A definição de saudade é senti-la,
é ter no peito uma ausência que vacila,
um eco mudo que insiste em permanecer,
mesmo quando a vida manda esquecer.
É caminhar por ruas já conhecidas,
e encontrar lembranças ainda vividas,
como retratos presos no pensamento,
desafiando o tempo a cada momento.
Saudade não se explica por inteiro,
ela invade devagar, sorrateiro,
feito vento entrando pela janela
quando a noite parece mais singela.
Ela tem cheiro, tem voz, tem memória,
tem fragmentos de riso, tem história,
tem um nome guardado em oração,
e um silêncio apertando o coração.
É ver um céu bonito e, de repente,
querer alguém ali, tão simplesmente,
porque beleza alguma se completa
quando a falta transforma a alma em poeta.
Saudade é quando o mundo segue andando,
mas dentro o peito vai se demorando,
preso num tempo que já foi abrigo,
onde existia um eu contigo.
É recordar um gesto tão pequeno,
um olhar calmo, um abraço sereno,
e perceber que aquilo que era instante
virou eternidade pulsante.
Há saudades que chegam sem aviso,
misturadas ao canto e ao sorriso,
mas por trás de qualquer felicidade
sempre repousa um pouco de verdade.
Porque quem ama nunca perde inteiro,
fica um pedaço vivo, verdadeiro,
latejando em cada recordação,
como se o amor tivesse continuação.
Saudade é uma presença disfarçada,
uma ausência que nunca está calada,
é um nome repetido em pensamento
como prece lançada contra o vento.
Às vezes ela vem como ternura,
outras vezes machuca com doçura,
feito chuva caindo devagar
sobre feridas que insistem em ficar.
E mesmo quando a dor parece fria,
há calor escondido na agonia,
porque sentir saudade, no fundo, é prova
de que o amor deixou raiz e renova.
O significado dela é justamente
esse vazio tão cheio e tão presente:
não cabe em livros, regras ou teorias,
vive em dias longos, em manhãs vazias.
E se me perguntarem certo dia
qual palavra traduz melancolia,
direi sem medo, com alma comovida:
saudade é amor que continua em vida.
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