Tem dias em que a vida se oferece baixinho,
quase como quem pede licença para existir.
Está no café que esfria devagar sobre a mesa,
no vento que atravessa a janela e toca o rosto,
no som distante de vozes que se misturam
e, ainda assim, aquecem o peito.
A beleza habita o que é pequeno,
o que passa sem anúncio,
o que não pede atenção,
mas sustenta o mundo com delicadeza.
Está no gesto de ajeitar o lençol,
no cuidado de quem pergunta se você chegou,
no silêncio compartilhado
que acolhe mais do que qualquer palavra.
Existe uma poesia escondida
no chão limpo ao fim da tarde,
na roupa dançando no varal,
na risada que surge leve
e insiste em permanecer.
Talvez seja nisso que a vida se ampare
nesse quase nada que preenche tudo,
nesse instante simples que atravessa o tempo
e encontra morada dentro de nós.
A beleza não se impõe
ela se revela devagar
para quem aprende a olhar com calma
e sentir o que sempre esteve ali.
Sou psicólogo, formado pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e atualmente mestrando em Educação pelo Programa de Pós Graduação em Educação da UEFS, vinculado à Linha 3 Culturas, diversidade e linguagens. Minha caminhada profissional e acadêmica é atravessada, de forma muito viva, pelo encontro com as infâncias. É no brincar, na ludicidade e no cuidado atento ao desenvolvimento socioemocional que reconheço um território fértil de escuta, criação e produção de saúde mental.
Durante dois anos, tive a alegria de atuar como bolsista de extensão na Brinquedoteca da UEFS, um espaço que me ensinou, cotidianamente e com as crianças, que brincar é linguagem, é vínculo, é gesto de cuidado e possibilidade de mundo. Ali, aprendi que escutar uma criança também passa por acolher seus silêncios, seus movimentos, suas invenções e afetos.
A escrita poética me acompanha desde a infância como um lugar íntimo de expressão e de cuidado comigo mesmo, um modo sensível de existir e elaborar o vivido. Ao conhecer a proposta da Revista Entre Poetas & Poesias, fui tomado por um encantamento imediato. Reconheci, em seu cuidado editorial, em sua abertura à pluralidade de vozes e em seu compromisso sensível com a leitura, um espaço que dialoga profundamente com aquilo que acredito, estudo e sinto.
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