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Contida

Entre passos leves e palavras curtas
vou aprendendo a me esconder,
como quem diminui o próprio som
para não incomodar ninguém ao viver.

É curioso como certas coisas
a gente prefere não dizer,
não por falta de coragem,
mas por medo de perder.

Então deixo o silêncio falar por mim,
como um amigo que sabe guardar,
segredos que pesam no peito
mas que eu não devo soltar.

Há sentimentos que crescem demais
e não cabem dentro da voz,
ficam presos no fundo do peito
fazendo morada em nós.

E talvez seja melhor assim,
quieta, discreta, contida,
como quem observa de longe
as pessoas que iluminam a vida.

Algumas delas são quase tudo,
quase razão de existir,
mas às vezes parece que nelas
eu não sou motivo de insistir.

E tudo bem (eu digo baixinho)
como quem tenta aceitar,
porque nem todo amor que entregamos
encontra o mesmo lugar para ficar.

Mesmo quando as palavras saem,
ainda sobra tanto por dizer,
um oceano inteiro guardado
que ninguém nunca vai ler.

Frases que moram no coração,
confissões que escolhi guardar,
porque certas verdades ditas
podem fazer alguém se afastar.

E eu sempre tive medo disso:
das coisas mudarem de repente,
de um dia alguém ser abrigo
e no outro ser só ausente.

Tudo muda tão rápido às vezes
que assombra até o respirar,
como páginas viradas depressa
que a gente não consegue acompanhar.

Talvez por isso eu espere demais,
mesmo sem perceber,
das pessoas aquilo que eu mesma
não pensaria duas vezes em fazer.

E quando não vem, algo dentro de mim
fica quieto tentando entender,
por que o coração insiste tanto
em sempre mais oferecer.

Mas eu sigo tentando ser leve,
como quem não quer ocupar espaço,
como quem esconde no bolso
o peso inteiro de um abraço.

Porque não quero ser incômodo,
nem uma voz a chamar,
mesmo quando tudo em mim
só quer alguém para escutar.

Então finjo que está tudo bem,
que não preciso de nada,
mesmo quando a amizade de alguém
é a única luz na estrada.

E assim sigo guardando pedaços
de tudo que nunca falei,
histórias que vivem comigo
mas que ninguém nunca leu.

Talvez algumas amizades
sejam assim mesmo no fim:
um coração que sente demais
e um silêncio que aprende a viver em mim.

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Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.

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