Já estamos na segunda semana do mês de Março!
Um mês lindo com todas as suas delícias, flores, presentes e perfume destinado às mulheres!
É!… só que não né?
Até porque, vamos continuar falando de algumas das várias atitudes masculinas contra mulheres que causam revolta quando ouvidas, mas principalmente quando vistas ao vivo!
Recentemente, após um jogo de futebol de caráter eliminatório, um jogador deu uma entrevista para diversos repórteres com grande visibilidade para inúmeros meios de comunicação.
Até aí, tudo normal, posto que ao fim de todos os jogos essa atitude é comum, só que desta vez algo bem misógino ocorreu.
Tratava-se de um grande jogo que teve uma mulher como árbitra principal. Uma profissional de renome e conceito efetuando seu trabalho da forma mais técnica e eficiente, tal qual os jogadores que estavam disputando a vaga para continuar no campeonato.
Contudo, como em qualquer jogo de futebol, um time ganha e outro perde.
Mas desta vez, o jogador entrevistado era parte integrante do time perdedor, e revoltado disse que a Federação dos árbitros não poderia permitir que uma mulher apitasse um jogo tão importante, vez que uma mulher não teria capacidade para tanto.
Disse ainda que ela destruiu os sonhos dele e daequipe dele.
Também mencionou que tem mulheres na família, chegou até a se desculpar, mas manteve a manifestação em relação a afirmar que uma mulher não teria a capacidade de apitar um jogo tão importante.
Tais falas não são somente revoltantes, mas também desonestas, posto que inúmeras pessoas assistiram ao jogo e tecnicamente disseram que a atuação da árbitra foi exemplar, já a atuação dos jogadores do time perdedor deixou muito a desejar, principalmente a do tal jogador misógino.
Ora, mais uma fala tipicamente machista…
Quem nunca soube ou ouviu algum fato onde o homem comete um erro e imediatamente diz que a culpa é da mulher?
“Eu bati nela porque ela me provocou”
“Ela estava com aquela roupa, então estava pedindo, né?”
“Eu perdi a cabeça porque ela não faz nada direito”
“Ela não supria minhas necessidades na cama, por isso tive que procurar na rua! Sou homem né?”
Essas e muitas outras falas corriqueiras, cotidianas e nojentas são tipicamente machistas, misóginas e infelizmente não param de acontecer, porque para eles as atitudes criminosas e violentas não são culpa deles, mas sim delas, como se os erros não tivessem partido deles. Um verdadeiro absurdo!
Além de não reconhecer que jogou de forma péssima e nada profissional não fazendo juz ao grandioso salário que recebe, o jogador de futebol ofende o trabalho alheio, tenta descredibilizar o profissionalismo da árbitra e a insulta simplesmente pelo fato de a mesma ser MULHER!
Para ele e também para muitos homens, fica nítido que a mulher não possui raciocínio compatível a entender um mundo que eles pensam ainda ser plenamente masculino.
Reforço que o jogador em tela frisa que uma mulher não pode apitar um jogo tão importante como aquele, ou seja, se fosse um jogo bobo ou desimportante até seria aceitável, mas nada que fosse tão “racional” ou que “necessitasse utilizar sabedoria futebolística séria”.
A fala dele também demonstra que ele acredita com veemência que os homens ainda podem ou não permitir até onde as mulheres podem ir, ou seja “Quer fazer parte desta ou daquela esfera da sociedade? Tudo bem, nós homens permitimos, mas só até o ponto que achamos possível! Fiquem felizes com isso que lhes deixamos fazer, e não reclamem porque já estão indo muito além do que tinham! E nos agradeçam por isso!”
Esta foi uma fala pública, mas quantos homens têm falas horríveis disfarçadas de elogios como:
“Nossa! Como pode uma mulher saber instalar uma bomba d´água e saber onde situam-se os canos da casa? Tá de parabéns por ser essa grande mulher!”
ou “Você dirige muito bem mesmo sendo uma mulher”… dentre tantas outras falas tóxicas disfarçadas de parabenizações.
Muitas mulheres se sentem lisonjeadas por tais “elogios”, mas na verdade, deveriam questionar o porquê de tais afirmativas, afinal, não é um órgão sexual que define a capacidade mental para dirigir um carro, saber manusear uma bomba d`água, lavar uma louça, trocar uma fralda de bebê ou apitar um jogo de futebol!
Não se trata de agir com arrogância ou repelir um elogio, mas sim de dialogar com acuidade quando tais falas forem proferidas, agindo com profícua delicadeza, mas demonstrando que somos iguais e não precisamos da aprovação masculina para realizarmos qualquer ato que seja.
Continuemos a falar e agir sobre esse assunto em todos os lugares, em todos os momentos!
Michelle Carvalho
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