Para refletir sobre esse questionamento, é importante voltarmos aos nossos propósitos e buscar dar sentido ao que desejamos.
Quando falamos em relação à vida e a nossa forma de nos relacionar com o meio em que vivemos, diversos pontos de interrogação surgem em nossa mente, e em nossos pensamentos.
Quando estamos na infância, nos perguntam o que vamos ser quando “crescer”; imaginamos que a vida adulta é maravilhosa, pois teríamos mais “liberdade”. Pensamos em não andar mais de mãos dadas com nossos pais, poder se sentar na mesa com os adultos e expressar nossas opiniões.
Chegando a juventude, parece que os horizontes mudam, as perguntas mudam. Suas tias perguntam onde está o namorado, quem são seus verdadeiros amigos (nessa fase, ainda temos a ilusão de que são muitos), sobre a relação com seus pais. Surge uma busca incansável pela perfeição, por ter status, visibilidade em seus círculos sociais. Há uma corrida para saber quem é o mais popular, o mais bonito, o cercado de diversos amigos. E as perguntas que realmente nos interessam? Foram respondidas? O ciclo continua e essas perguntas continuam sem respostas e sem a devida importância.
Atingindo o auge, o que, para muitos, é a vida adulta, responsabilidades batem na porta. Carreira, vida financeira, saúde mental, estabilidade emocional e, é claro, que não podia faltar, a vida social em dia… Festas, romances, fotos em lugares extraordinários com vários likes nas redes sociais. Percebeu que a vida se tornou uma lista que você precisa cumprir? E você a finalizou? Formada aos 22, vida financeira excelente, com um combo de relacionamento amoroso perfeito, emprego divino e saúde mental na melhor forma…
Das perguntas que nos são feitas, ou melhor, impostas, quais realmente nos interessam?
Vivemos em uma sociedade que segue padrões, que nos impõe metas e, quando não as atingimos, somos julgados como atrasados, estranhos, fora da “casinha”. Ninguém pergunta como você é, o que realmente deseja, o que realmente te dá brilho nos olhos quando fala. Além de toda essa lista que você precisa cumprir e conquistar, parece que não há nada mais que importa.
Passamos por uma busca incansável de aprovações por terceiros, que esquecemos de dar a nós mesmos a nossa aprovação.
Queremos continuar fazendo de nossas vidas uma lista? Acredito que não… Fazer de nossas vidas uma lista é diferente de ter propósitos. Temos que buscar nossos próprios propósitos, olhar para nós primeiramente e para nossos desejos.
Quando desejamos muito que o outro nos olhe, esquecemos de nos enxergar, de ver como realmente somos e o que realmente queremos, deixamos de lado nossa essência.
Mas só teremos essas respostas sobre nós mesmos, se começarmos a nos questionar sobre o que realmente importa.
Nos importa continuarmos estagnados em lugares que não nos levam para frente? Aceitar tudo o que acontece a nossa volta? Desistirmos sempre que estiver um obstáculo em nosso caminho? Tentar manter sempre a aparência só para dar a entender que está tudo bem? Continuar sem uma voz ativa em situações que nos incomodam? Pensar em tudo e em todos antes de pensarmos em nós mesmos?
Nessa exaustiva corrida para completar nossa lista, ainda não temos as perguntas que realmente nos interessam… E o mais intrigante serão as respostas para elas, quando elas surgirem.


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