Desafiei a IA
Para fazer um cordel
Ela com seus algoritmos
Eu com caneta e papel
Fez lá uma confusão
Sem métrica, rima e oração
E tão irracional
Sem paixão e sem essência…
Eu sou mais a inteligência
Menos artificial.
As estrofes sem parâmetros
Não conhecia sextilha
Fazia rima imperfeita
Rimava “família” e “pilha”
Não fazia a escansão
Os versos sem emoção
Com tema fraco, banal
Enredo sem consistência…
Eu sou mais a inteligência
Menos artificial.
Uma sopa de palavras
Sem tempero, insossa, fria
Um conjunto de estrofes
Com nenhuma alegoria
Sem figura de linguagem
Uma ruma de bobagem
Sem impacto emocional
Faltavam ritmo, cadência…
Eu sou mais a inteligência
Menos artificial.
Já eu, coloquei paixão
Esperança, paz, amor
Pus a caatinga, o sertão
Com seu cheiro, seu sabor
Os versos bem explicados
Rimados, metrificados
De forma bem natural
Coesão e coerência…
Eu sou mais a inteligência
Menos artificial.
As figuras de linguagem
Enfeitando cada verso
Cada estrofe do cordel
Parecendo um universo
Puro parnasianismo
Caprichado no lirismo
Linguagem sensorial
Com bastante competência
Eu sou mais a inteligência
Menos artificial.
Glosa: João Rodrigues (Reriutaba – CE)
Mote: Araquém Vasconcelos (Santana do Acaraú – CE)


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