Terça-feira de Carnaval, dia importante para as escolas de samba. As pessoas de casa não têm a menor noção do clima tenso que são os momentos que antecedem ao desfile.
Concentração: local onde os integrantes aguardam a entrada. Esse espaço deveria ter outro nome! Os batimentos cardíacos seguem o ritmo dos bumbos! Chega o diretor de harmonia e caminha apressadamente entre as alas e grita:
– Atenção, atenção! Para os novatos: a cabine da comissão julgadora fica ao lado do camarote central, aquele dos artistas americanos! Quero muito “swing” na avenida! Atenção passistas! Todas vocês com sorriso no rosto! O pé pode doer, mas ninguém pode “amarelar”! Atenção bateria!
Nesse momento, o que era estrépito torna-se sereno! O silêncio é unânime para aguardar a grande orquestra popular… e como uma onda gigantesca do Havaí, a bateria invade as artérias e incha os corações de todos os componentes que vão às lágrimas!
Uma das passistas estreantes estava mais nervosa que as outras, olhava com muita frequência para os próprios pés. Trajava uma sainha de babados dourados e nas mãos, uma cesta de palha com frutas naturais.
A medida que se aproximavam da comissão julgadora, todos os integrantes sambavam como ninguém! Olhei para a passista tentava imitar o requebrado das outras, sem sucesso… foi quando uma pequena poça d’água a ajudou. Ela quase caiu! Olhar de desespero com sorriso no rosto! Nesse “vem cá e vai lá” muito rebolado surgiu para não deixar a cesta cair!
Foi aplaudida de pé!
Ivone Rosa
@profaivonerosa
[ Crõnica do livro O Primeiro Prazer]
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