Véus da Alma
Danço não apenas com tecidos translúcidos,
mas com imagens arquétipicas
que emergem do inconsciente coletivo
e encontram no corpo seu campo de manifestação.
O véu é o símbolo.
Não encobre – media.
É função transcendente em movimento,
ponte sutil entre o inconsciente e consciente.
Quando o braço se eleva, a Ânima sussurra
em curvas suaves., princípio relacional .
No giro, a sombra se insinua , não como peso,
mas como densidade necessária ao contorno
da luz .
Cada ondulação do tecido é reconhecimento do
que foi negado .
Agora integrado na coreografia da consciência.
O corpo torna-se mandala viva .
Centro que se organiza em torno de um eixo invisível :
o Self .
Na leveza do movimento não há gravidade.
Há diálogo com ela.
O véu cai e ascende
como símbolo do processo de individuação:
a descida às camadas profundas, retorno ampliado
a superfície.
Dançar com véus é permitir
que o invisível se expresse antes da palavra.

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