@revistaentrepoetas / @professorrenatocardoso

2 cliques

A CALIGRAFIA DAS HERAS

Por Elias Antunes                                  

Nos últimos tempos alguns escritores vêm-se firmando com uma carreira sólida e a escrita de bons trabalhos. É o caso de Edival Lourenço, romancista de alta envergadura, um dos melhores da atualidade. Ao lado de sua prosa vigorosa e criativa, consolida-se como poeta com excelente obra.

No livro “A Caligrafia das heras”, um conjunto de poemas que podem ser lidos com gosto, o poeta Edival Lourenço consegue transubstanciar eventos e dar uma tonalidade cheia de melodia refinada e de boa dose de reflexão.

Seguem os poemas:

“20

De olhos abertos

o olhar do morto

fechado pela campa.

É tão absorto

o olhar do morto!

Vai além da tampa

vai além da rampa

além do mundo exposto.”

(LOURENÇO, 2012, p. 108)

“21

Meu sonho

de consumo

é ter comigo

alguém que me

entenda de forma

tão profunda

que decifre nas runas

os segredos que não digo.”

(LOURENÇO, 2012, p. 109)

Há humor em sua cadência verbal, bem como ironia, jogo de adágios etc., como no poema:

“AS ÉGUAS

As éguas não frequentam

teatros nem museus

não escrevem poemas

nunca ouviram nem falar

na Sinfonia Fantástica

                  de Berlioz

não sabem distinguir

um traço de Poteiro

de um risco de Picasso.” (…)

(LOURENÇO, 2012, p. 131)

Não deixa de fazer uma crítica social dos novos tempos e do vazio das existências, como em:

“NOSTALGIA DE INIMIGOS

Alto, lá, velho camarada,

                       não estamos em 68!

Não temos nesta hora um estudante

no Calabouço vítima de assassinato.

Estão agora os estudantes

é curtindo pornografia na rede

empanturrando-se

de coca-cola e fast-food

nos corredores do shopping

depois vagam pelas madrugadas

em ritual de incêndio

                         aos Galdinos.” (…)

(LOURENÇO, 2012, p. 137)

O homem que questiona consegue, no mínimo, colocar o problema (ou dilema) humano na pauta do dia.

Ganhador de grandes prêmios, como o Prêmio Jabuti, o Prêmio Nacional de Romance do Estado do Paraná e a Comenda Jorge Amado, da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, Edival Lourenço consegue dialogar com a questão do porquê da existência.

A ideia deste texto é falar da grandeza de um exímio romancista encarando de frente a linguagem poética e sagrando-se como um poeta de qualidade, equilibrando ritmo, tensão poética, força e conteúdo.

Livro: A Caligrafia das heras

Autor: Edival Lourenço

Gênero: Poesia

Número de páginas: 192

Editora: R&F Editora.

Fonte da imagem: Foto do autor.


Descubra mais sobre Revista Entre Poetas & Poesias

Assine gratuitamente para receber nossos textos por e-mail.

Deixe um comentário

Sobre

Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.

Com uma equipe formada por escritores de diferentes idades e áreas do conhecimento, buscamos sempre oferecer conteúdo de qualidade, promovendo o diálogo entre gerações e perspectivas diversas.

Se você deseja ter seu texto publicado, envie sua produção para:
revistaentrepoetasepoesias@gmail.com

Acesse: www.entrepoetasepoesias.com.br
Siga no Instagram: @revistaentrepoetas / @professorrenatocardoso
Canal no WhatsApp: Clique aqui para entrar

PESQUISA