Você conhece aquela frase: “O amor não envelhece”?
Será mesmo verdade?
Envelhecemos com o passar dos anos que amamos ou o amor nos mantêm jovens?
Pra pensarmos como responder a tantas perguntas temos primeiramente que saber o que é o amor dentro de nós.
Será que desaprendemos a amar devido à efemeridade da vida virtual e das facilidades relacionadas a intimidades superficiais sexuais que nos são apresentadas diariamente, ou ainda temos esperança na arte de amar?
Primeiramente, para pensarmos em amor precisamos nos entender como seres amáveis, seres repletos de qualidades, mas também de defeitos, e, principalmente pessoas que se conhecem verdadeiramente, se aceitam e se amam como são.
Nossa, mas é muita coisa! Não seria mais fácil somente deixar tudo fluir e nos entregarmos ao amor que nos enche de alegria e euforia no primeiro olhar?
Lógico que seria muito mais fácil deixar a “magia do amor” acontecer e seguir pra onde o barco sentimental nos levasse, mas talvez tudo não passe de “encantamento imediato”, “paixonite” ou “entusiasmo disfarçado de sentimento”.
Não sendo possível discernir quem somos a partir de um conhecimento profundo de si mesmo, não conseguimos nos amar verdadeiramente, afinal, se nem nós mesmos sabemos o que mora em nossa essência com precisão e autoridade sobre o assunto, como saberemos amar quem somos?
Sem que saibamos intimamente quem somos, como poderemos saber o que realmente queremos para nossa vida?
Em uma tentativa de nos esquivarmos desta tarefa aparentemente simples de nos conhecer – mas que na verdade é extremamente delicada e difícil- , acabamos peneirando nossa vida através de um funil de senso comum, escolhendo o que queremos através do olhar do outro, entendendo quem somos pelo que o outro diz e desejando pra nossa vida o que a maioria da sociedade deseja.
Ao etendermos que somos únicos, e que precisamos nos debruçar sobre a convivência diária conosco, olhemos realmente para nosso íntimo profundo através das camadas que nos foram depositadas por espelhamentos distorcidos alheios.
A partir deste passo, podemos dizer com autoridade que nos conhecemos e aprendemos cotidianamente a nos amar. Assim, sabendo realmente o que é amor, podemos sentir com profundidade o sentimento que vem nos guarnecer de dádivas, nos acompanhar, nos solidificar e nos agregar a cada dia, nos fazendo sentir o frescor da vida diretamente na alma em qualquer idade.
Será que quando os anos passam, nosso coração também envelhece no jeito de amar?
Será que deixamos de sentir como antes?
Penso que talvez amadureçamos em algumas das nossas atitudes, talvez meçamos melhor a forma de demonstrarmo-nos enciumados ou possamos demonstrar carinho com mais requinte…
Pois é… quem tem em si o prazer de amar sente as borboletas no estômago, coração pulsante saltitando no peito ao escutar o barulho da porta quando o ser amado chega, quando o perfume lembra, quando o abraço acolhe, quando o beijo encanta…
Às vezes, o amor amadurece, as vezes rejuvenesce, mas penso que quando olhamos nos olhos de nosso grande amor e nos vemos refletidos lá dentro, rejuvenescemos nos pensamentos que voam longínquos, lá no momento do primeiro olhar, do encantamento e do florescer desse amor.
Ao nos olharmos intensamente, ao sentirmos beijos que nos fazem suspirar, toques que nos arrepiam a pele e ao ouvirmos a voz no pé do ouvido, sentimos a vivência latente do que é amar.
Mesmo quando o amor parece estar morno, esquecido no canto de um quarto escuro e empoeirado, guardado em uma gaveta, basta um toque diferente, uma carícia inesperada, um bilhetinho ao lado do café, um abraço despretensioso ao sentar ao lado no sofá e a faísca desperta.
Nem estou falando de amor carnal, sexual… estou falando do amor de alma! Aquele que embora pareça estar na mesmice envelhecido pelos anos de vida conjunta, está vivo e se remonta, transforma e revigora com a sutileza de um olhar carinhoso…
Você já viveu uma experiência assim? Afinal, nenhuma vela tem uma chama incandescente que nunca diminua ou que o vento e o tempo não a façam diferenciar, mas ao preparar o momento ideal, mesmo na simplicidade, a chama revigora e brilha lindamente iluminando tudo ao redor.
Assim é o amor, ele não envelhece, acho isso bem verdadeiro!
Penso que, na verdade, ele amadurece e sobrevive às estações quando aquecido no inverno, florescido na primavera, refrescado no verão e saboreado docemente no outono.
Sinceramente, seja em qualquer idade, quando o pulsar do coração vem em descompasso, a ansiedade pela presença enlouquece o relógio interno e a pele arrepia quando um sussurro no ouvido diz “eu te amo”, a alma sente de forma atemporal remontando o instante inicial, vivendo o momento presente e sentindo a permanência do amor intrinsecamente por toda a eternidade.


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