Eu estava arrumando minhas coisas, pois daqui a uma semana volto a trabalhar, quando minha filha veio me pedir um papel para escrever um recado. Eu não tinha. Foi aí que vimos que tudo que escrevemos está na linguagem digital. Então, ela lançou a seguinte pergunta: “Pai, quem criou o papel?”.
Retruquei a pergunta com outra pergunta: “Quando falamos de escrita e leitura o que lhe vem a mente primeiro? Com certeza, você vai lembrar de algum romano, grego ou egípcio, na antiguidade, com um pergaminho ou papiro em mãos, lendo algo em voz alta”.
Na linha do tempo, o papiro surgiu primeiro, datado de 3000 a.C, no Egito antigo. Era feito do caule de uma planta aquática que tinha em abundância as margens do Rio Nilo. Em seguida, o ser humano criou o pergaminho, cerca do século II a.C, na Ásia menor.
Imagina você, leitor, o quão difícil era escrever um simples recado. Um livro então, poderia custar a vida de diversos animais, uma vez que o pergaminho era feito com a pele deles. E hoje, conseguimos escrever o que queremos sem sequer usar um pedacinho de papel.
Mas e o papel? Este surgiu na China, a partir de 105 d.C, criado por T’sai Lun, e era feito de fibras vegetais (inicialmente trapos de roupa, casca de amoreira, rede de pesca) maceradas e suspensas em água. A pasta era peneirada em uma tela (o “formador”), onde a água escorria e as fibras se entrelaçavam aleatoriamente, criando a folha, que depois era prensada e seca.
Uma verdadeira revolução! O papel transformou a informação em algo mais palpável e de fácil acessibilidade. O que antes era restrito, agora passou a ser de todos. Interferiu não somente na escrita, mas também na leitura. Toda uma mudança aconteceu no mundo.
O livro se popularizou, pois barateou todo o processo. A Bíblia, o primeiro livro impresso em larga escala no século XV, para ser escrito em pergaminho custaria a pele de cerca de 300 ovelhas. O que antes era informação da elite, passou a ser a democratização do conhecimento.
Com o passar do tempo, com um público leitor em constante formação, Gutemberg teve a brilhante ideia de inventar a imprensa para atender essa demanda crescente. O que estava começando a ser divulgado, ganhou padronização e uma dimensão enorme. O papel ganhou relevância e fez com que os povos conseguissem guardar, de forma mais segura, suas histórias, rituais e lendas.
Reflita como deveria ser difícil ler em pergaminho e quão diferente deve ter sido, ler em um modelo flexível, que te permitia folhear, anotar, consultar e carregar. O conhecimento foi otimizado em páginas. Penso até quem foi o primeiro humano a ler um livro em códice.
Mesmo com a chegada do mundo digital, em meados dos anos 2000, o papel nunca perdeu sua importância. O e-book, mesmo tendo sua significância, nunca vai substituir o livro impresso (só quem gosta de ler é quem sabe). Mas voltando a história inicial…
Entre os livros, que estava arrumando, achei um bloco de papel e entreguei a ela. Foi onde percebi que, além de tudo, o papel ganhou várias formas e tamanhos. A maioria do conhecimento que você adquire ao longo da sua vida, você registra em papéis, afinal o que usamos nas escolas são cadernos.
Lembre-se sempre que quando você estiver escrevendo ou lendo algo, uma máquina do tempo está em suas mãos, algo que carrega não somente sua história pessoal, mas a história da humanidade e a solidificação da razão.


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