Ela estava crescida, volumosa, se destacava entre as demais. Porém, o espaço em que habitava estava visivelmente pequeno. Assim, foi transportada para um outro lugar para que suas raízes não permanecessem inseguras.
Muito crescida, ainda mais elegante com suas sinuosas curvas, algo completamente inusitado aconteceu: surgiu um broto!
Como ela, linda, majestosa, imponente, poderia dividir com ele o seu reino?! Não, absolutamente, não! Aquela terra lhe pertencia, era somente dela.
Ele, sutilmente, a seguia… e ela, por sua vez, o ignorava. Ou talvez disfarçasse muito bem que no fundo sentia-se envaidecida pelo silencioso cortejo.
Ela era uma raridade. De acordo com alguns botânicos, não se encontra mais na natureza, tipos como ela são cultivados em locais especiais.
E aquele broto de feijão franzino, mas impetuoso, entrelaçava seu frágil caule na haste da magnífica orquídea…
Na época, eu não poderia afirmar se havia aprovação pela proprietária daquele vaso. Até mesmo porque ela sequer lhe dirigia o olhar. Estava centrada, olhando sempre para o alto.
O processo de germinação da leguminosa era incrivelmente acelerado. O pequenino broto parecia estar em sua fase adulta, pois a distância já era pequena para alcançar as lindas pétalas lilases.
Não posso precisar o que de fato ocorreu; a impressão que tive foi de que ela não resistiu aos encantos. Um dia, ela amanheceu curvada, sua cabeça estava baixa e, quando faltavam alguns milímetros para que eles se tocassem… não havia mais tempo! Sua linda flor murchou, todas as pétalas escureceram, ela despencou.
Ivone Rosa
@profa.ivonerosa
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