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Série: Quarenta, é sério? – Cap.#09 – “Disciplina e vontade”

Voltei para a enfermaria e não tinha nada para fazer a não ser deitar. Lembrei da conversa que tive no dia anterior com o fisioterapeuta, lembrei dos exercícios. E comecei a fazê-los.

A enfermeira viu e comentou incentivando. Seu Carlos olhou e o convidei a fazer os exercícios juntos comigo. Levei bastante tempo fazendo, dando um espaço de tempo entre um e outro.

Já estava sentindo uma melhora imensa. Eu estava ligado ao aparelho, que media minha pressão, saturação e batimentos. Pedi que não me deixassem sem o equipamento, pois, devido à ansiedade, eu gostava de ter controle das coisas.

Comecei a perceber que minha saturação baixava um, dois pontos quando fazia os exercícios (mas somente quando os fazia sem a ajuda da oxigenação mecânica). Estava ficando empolgado, pois eu conseguia manter o quadro.

A cabeça estava plenamente concentrada na minha recuperação. Disciplina e foco eram aquilo que me colocavam na meta de sair. Pensava nas meninas e na esposa aqui fora e como tudo deveriam estar.

Três exercícios me foram ensinados e uma recomendação dada (não dormir de barriga para cima, pois isso pressionava os pulmões). O não dormir de barriga não era o problema, pois já era hábito. O mais difícil era porque estava cheio de fios por causa do aparelho.

Como a cama ficava inclinada, não tínhamos travesseiros, mas tínhamos dois cobertores e com um improvisei, muito mal, um (guardem bem este ato, pois ele se desenvolverá no próximo capítulo).

Mas retornando aos exercícios… Eu os fazia sempre que possível. Tirava o cateter e fazia sequências de três para cada. No início, sempre que fazia, eu tossia muito, devido à pneumonia que contrai. No final de cada dia, eu percebia certa melhoria.

Já estava no terceiro dia de internação, e a cada dia colocava uma meta relacionada à oxigenação mecânica. Quando cheguei à UPA fiquei muito espantado com que estava vendo. E assim que fui transferido para o hospital, fiz questão de me inteirar sobre o assunto.

Quando percebi que a técnica de enfermagem estava sozinha, pedi para que ela me explicasse melhor o que significava o tubo de ventilação que estava atrás de mim. Ela, prontamente, me disse que era o que determinava se eu ficaria na enfermaria, no CTI ou na UTI. O limite máximo era onze, cheguei com oito e estava com quatro, ou seja, estava evoluindo bem.

Os exercícios estavam me ajudando a “limpar” os pulmões e fortalecê-los. Como disse anteriormente, já estava no terceiro dia, meus pulmões pareciam não ter mais secreção. Eu fazia os exercícios e não mais tossia.

A confiança estava alta, e isso foi de suma importância para mim. Via a melhora, busca por ela e assim ia fazendo. A ansiedade ainda batia, mas o medo já tinha se afastado.

Já estávamos nos aprontando para jantar. Onde estávamos não tinha como saber se era dia ou noite, não dava para ver o lado de fora. Essa noção só nos era dada quando apagavam as luzes da enfermaria.

Seu Carlos sempre animado. Já tínhamos conservado sobre diversas coisas, alternando com momentos de silêncio e sono. O técnico de enfermagem entrou e nos serviu uma canja (dizem que comida de hospital é ruim, mas a do Hospital das Freiras era ótima).

Sempre anoitecia, eu parava com os exercícios de recuperação, até mesmo para não exagerar. Como disse, a confiança está alta. Antes de dormir, sempre ceiávamos e eu tomava clonazepam gotas.

Naquela noite, olhei para o técnico e pedi para que ele reduzisse ainda mais a oxigenação mecânica. Ele conversou comigo, perguntou se era isso que eu queria mesmo, confirmei.

O profissional disse que qualquer coisa era só chamar e logo baixou da marcação quatro para dois, ou seja, praticamente nula. Sentia um vento muito fraquinho entrando pelas narinas. Minha saturação não abaixou, continuou na casa dos 95, 96 (que é dada como normal).

Adormeci…


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Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

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