Eu falo baixo, mesmo quando a alma grita,
engulo o choro, faço a dor bonita.
Aprendi cedo a não ferir ninguém,
mesmo quando ferem tudo o que sou e o que vem.
Respeito o espaço, a fala, a opinião,
mas pisam firme na minha decisão.
Não sabem o peso que é ser correto
num mundo que lucra sendo incorreto.
Não veem o corte que não sangra fora,
mas por dentro sangra a cada hora.
Respeito até quando dói demais,
até quando isso me tira a paz.
Respeito tanto que me esqueço,
e nesse esquecimento eu me desfaço em preço.
Porque enquanto eu cuido para não machucar,
não hesitam em me atravessar.
Passam por cima dos meus limites,
como se fossem detalhes, meros palpites.
Minhas escolhas viram debate,
meu querer, um simples disparate.
Querem decidir o rumo do meu chão,
sem ouvir sequer meu coração.
E dói…
dói ser justo num jogo injusto,
dói ser inteiro pagando o custo.
Dói manter a postura erguida
quando desrespeitam minha própria vida.
Dói explicar o óbvio: “é MINHA decisão”,
dói defender o que nasce da razão.
Dói repetir o que já foi dito,
como se meu querer fosse sempre um delito.
Mas sigo…
não por fraqueza, mas por consciência,
por saber quem sou na minha essência.
Só que um dia…
esse mesmo respeito vai se voltar para mim,
e eu não aceitarei mais esse fim.
Porque respeitar o outro é virtude real,
mas esquecer de si é um dano moral.
E quando eu disser “basta”, sem gritar,
vai ser tarde para tentar me ultrapassar.
Pois quem pisa demais na minha calma,
um dia perde o acesso à minha alma.
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