A tinta descasca em feridas de cor,
vermelho, azul e o rosa que se desbotou.
A ferrugem floresce como uma flor,
no metal frio que o tempo parou.
As engrenagens dormem, dentes travados,
guardando segredos de verões passados
quando crianças corriam e gritavam em alegria
sem saber que tudo iria acabar um dia.
A gôndola balança ao vento, pendurada,
num rangido oco, uma queixa cansada.
E nos bancos vazios, sob a chuva fina,
sentam-se fantasmas de pura memória.
Ecos de risos da antiga rotina,
que foram presos para sempre no alto dessa história.


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