Nós, mulheres, professoras e mães, sempre atendemos ao chamado quando escutamos um vocativo carimbado: “mãe!” “Professora!”
E não poderia ser diferente comigo. Estou de férias em um local bem distante do meu trabalho, bem como de minha residência, mas quando ouvi a voz alta de um homem falar “professora”, imediatamente olhei. Alto, cabelos bem cortados e barba. Não o reconheci. Ele percebeu que me parecia um estranho, sorriu.
Foi através do sorriso que consegui fazer o reconhecimento. Sim, foi meu aluno. Porém, eu não me lembrava de seu nome. Como uma comunicação por pensamento, falou:
– Sou o José Hernandez da turma 1003 no ano de 2015, lembra-se de mim? – interrogou com sorriso.
– Sim, claro! – respondi, olhando para uma jovem grávida ao seu lado.
– Minha esposa, professora! Nosso namoro começou por causa de suas aulas! Ambos riram simultaneamente.
Neste momento, minha cabeça deu um nó. Não me lembrava da menina, tampouco da aula ou aulas com a presença dela. Creio que perceberam meu desconforto e explicaram.
– Um dia fui à casa de um amigo para jogar videogame, ela não gostou porque precisa estudar para o ENEM. Assim, surgiu uma conversa sobre a matéria de Literatura, ela tinha muitas dúvidas sobre figuras de linguagem. Lembrei de suas aulas com exemplos de letras de músicas. Ela se amarrou! Cursamos a mesma faculdade, trabalhamos juntos, estamos casados há três anos e em maio chegará nossa princesa! -disse sorrindo.
Não queria ser invasiva, sobretudo não contive minha curiosidade acerca da profissão escolhida e perguntei:
– Que maravilha! Muita sorte ao trabalhar após o término da faculdade. Qual é a formação de vocês?
– Somos professores! – responderam uníssonos.
Nos abraçamos em meio às gargalhadas.
Ivone Rosa
@profaivonerosa
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