Em uma casa de praia, os donos inventaram uma forma diferente de atrair passarinhos. Não fizeram armadilhas com gaiolas; o que eles fizeram foi de instalarem porongos de madeira, em volta de todo o alpendre da casa, de frente para todo o jardim. Nesses porongos os passarinhos poderiam se achegar, fazerem seus ninhos, irem e virem à hora que quisessem. Passarinhos devem ser livres.
Num verão desses passados formou-se num dos porongos uma família de canarinhos (uma espécie de pássaro); primeiro a canarinha preparou o ninho dentro do porongo, levou palha, galhos de árvore para dar o mínimo de conforto para os filhotinhos; depois, ela passou a morar no ninho esperando o nascimento dos canarinhos; enquanto isso, o canarinho visitava o porongo para levar alimentos para sua amada, mãe dos seus filhinhos.
Algum tempo depois, para a alegria do casal de canários, descasca os ovos e nascem os canarinhos filhotes, mas por serem ainda pequeninos, a família vai ficando por ali, com o pai canário sempre levando alimentos para todos. De vez em quando ouvia-se uns piu, piu, piu, uma cantoria que só eles sabiam fazer.
A família de Canarinhos estava formada. E eles ficaram livres para continuarem morando no porongo, ou irem para outro ninho; tinham liberdade para voarem para outros mundos e voltarem quando quisessem.
Teve um dia, mesmo com todo o cuidado que a mãe canária tinha com seus canarinhos, acontece uma tragédia. Houve o fim da família canarinho naquele porongo. Um gato safado, andarilho, vivente das ruas e de telhados alheios, dá o bote no ninho de canarinhos, recém- formado. A mãe canária tinha saído para dar uma arejada nas asas, quando voltou os canarinhos tinham sumido. Ela passou a gritar desesperada pelos seus filhinhos e nada deles; o pai canário ouve de longe os gritos dela e vem “correndo” voando, soltando pena para todos os lados, para ver o que estava acontecendo no ninho. Ele, assim que viu o que tinha acontecido, entrou também no desespero e gritou muito, dizendo: – Cadê nossos filhotinhos, nossos canarinhos amados, nossos filhinhos pequeninos, cadê, cadê!!!!!
Uma borboleta que, passava ali por perto e que tinha visto tudo, chegou perto do casal e contou tudo o que viu: – Lamento o acontecido, meus amigos, um gato andarilho andava por aqui, neste jardim e viu o ninho de vocês. O gato olhou, olhou e percebeu que seus filhotes estavam sozinhos no ninho, e se aproximou, pegou os canarinhos com suas patas safadas e os levou com ele, sequestrando-os. Os pequenos até tentaram gritar, mas as patas do bichano são maiores e taparam os biquinhos.
– Isto é um absurdo! Diz o canário. – Vou atrás desse gato sequestrador. Quem ele pensa que é, roubando os filhos dos outros. Ele que vai fazer os próprios filhos!
Lá se foi o pai dos canarinhos a procura daquele gato sem vergonha e cara de pau.
Encontrou o gato numa casa vizinha embaixo de uma árvore, aninhando os canarinhos. Chega bem perto deles e diz: – SEU GATO SEM VERGONHA, SAFADO E CARA DE PAU! PODE DEVOLVER MEUS FILHOS! ELES SÃO CANARINHOS E NÃO GATINHOS. VAI PROCURAR UMA GATA PARA TI E FAZER FILHOTES COM ELA, PORQUE ESSES PASSARINHOS JÁ TÊM FAMÍLIA! POR ACASO TENS ASAS? NÃO, ENTÃO ELES NÃO TÊM NADA A VER CONTIGO, SEU BICHANO PELUDO E RABUDO!
O gato não sabia onde se enfiar de tanta vergonha que ficou, seus bigodes chegaram a tremer e falou, parecendo arrependido: – Desculpa seu canário! Eu não queria fazer mal para os canarinhos; é que os vi sozinhos no ninho e quis vê-los de perto. Não resisti e os trouxe comigo para dar um passeio e depois os levaria de volta para o ninho. Eu juro, não queria prejudicá-los, nem a vocês que são os pais.
– Será que não percebes a tua irresponsabilidade? Eles são muito pequenos ainda. Não podem ficar se expondo ao sol, ao vento, às intempéries da natureza. Além do que, eu e a mãe deles, quase tivemos um ataque do coração em não vê-los no ninho. Já pensou se tivéssemos morrido? Eles ficariam abandonados, órfãos. Como seria a vida deles sem a gente para cuidá-los e orientá-los em seus voos pelo mundo? Consegues perceber o estrago que terias feito na vida desses bichinhos inocentes?
– Mais uma vez peço-lhe desculpas. Não pretendia fazer nenhum mal. Aqui estão eles sãos e salvos. Leva-os e diz para a sua esposa que estou muito arrependido do que fiz. Nunca mais farei isso de novo, com ninguém. Como disseste, vou tratar de formar a minha própria família, pois me faz falta ter uma família e parar de ficar gateando por aí, perdido no mundo.
– Tudo bem! Está desculpado. Não quero te ver, nunca mais, perto do nosso ninho. Vai te ocupar com a tua vida!
Assim, o pai canário, abraçado nos canarinhos, virou as costas para o gato e voltou para o ninho, no porongo. Entregou os filhotinhos nas asas da mãe canária, pediu para ela que não os deixassem mais sozinhos e foi em busca de alimentos, pois deveriam de estar todos com fome, depois dessa aventura com o gato.
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