estou olhando pela janela do seu quarto.
lá fora, não há sinal de vida.
o morro florido está silencioso e não há ninguém pelas ruas. venta frio.
se não fosse pela voz de sua mãe no quintal, resolvendo as questões da casa, devota, poderia acreditar que estamos sozinhos no mundo.
olho distante.
você me olha, sorri e me diz palavras recicladas: palavras de amor que um dia você já disse para outra pessoa.
Eu sinto de forma única, enquanto você…
e agora, lá fora, é vazio.
não há novas estações.
a temperatura e a umidade estagnaram em suas mentiras.
confesso que vejo beleza.
no modo como você articula este roteiro.
Admiro,
não porque seja belo.
Mas porque enxergo, prevejo seu olhar e suas palavras.
Você me oferece esse amor reescrito.
e eu lhe devolvo, quem sabe,
uma morte sentimental inédita.
E seguimos, talvez.
Adriel Luiz, autor principal, escreve inspirado na natureza como reflexo da existência humana.
Como coautor, Cauã Bandeira traz sua profunda paixão pela literatura, fruto de sua trajetória em Letras na UERJ-FFP.


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