e mais uma vez,
enquanto meus pés pisavam no chão coberto de folhas pequeninas recém-aparadas daquele parque
você surgiu da gaveta em que joguei a chave fora das cartas amassadas e atiradas no lixo das fotos guardadas em caixas que eu nem ao menos carregava a coragem para tocá-las
e mais uma vez,
quando pensei que você estava
sumindo
desaparecendo
esvaindo-se
você volta
como se seus olhos
sua boca
seu corpo
continuassem a ser casa
mas eu já estou fechando a gaveta,
e dessa vez
sei onde a chave está
as cartas pouco me importam
e a caixa foi jogada fora
minha bagunça não é mais sua,
ou a sua a minha
enquanto meus pés molham-se na água do lago onde as memórias
já não me afetam mais
lembro que,
dessa vez,
você está e v a p o r a n d o
aos poucos
e dessa vez,
você não vai voltar.


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