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A cidade, a memória e a brevidade: o universo de Vê, repara

A escritora estreia com seu primeiro livro de contos, Vê, repara, publicado pela editora Patuá. Suas narrativas transitam entre amor, solidão, memória e questões sociais, sempre com um olhar atento ao detalhe e à sensibilidade. Nesta entrevista, ela fala sobre sua relação com o conto, o processo de criação, as experiências em feiras literárias e o que espera dessa nova fase como autora publicada.

1. Como nasceu a ideia de Vê, repara?

Eu moro no centro da cidade, o palco perfeito para múltiplas histórias de desconhecidos. Isso fez com que o meu olhar de poeta, atravessado pela sensibilidade, despertasse a minha observação para os detalhes dos “personagens” das ruas. Criei gosto, rascunhei algumas ideias que vi e outras que criei. Assim nasceu Vê, repara.

2. Quais eram suas expectativas para a obra?

Não crio expectativas sobre. Respeito a lapidação da escrita e me dedico ao máximo à ideia da obra. O que vier depois é luxo e afago.

3. O que te move na hora de escrever?

Escrevo pensando em me desafiar, em transpor o que sinto sobre algum tema. Penso que se me comove, também pode comover alguém, independente de quem seja.

4. Por que o conto é o seu gênero de eleição?

Eu gosto desse quê de brevidade que o gênero tem. Gosto da ideia de compactar pequenas narrativas com finais que dão vontade de continuar lendo algo mais na página seguinte. É o meu gênero preferido como leitora desde criança. Tenho uma afinidade com o ritmo da narração do conto, eu acho, sem descartar ou desmerecer outros gêneros que, inclusive, eu escrevo também. É gosto e só.

5. Sobre quais temas seu livro transita?

Meu livro transita sobre muitas camadas: amor, preconceito, violência, solidão e memória. Todas estas, em seus contextos, de cunho social potente. São histórias que eu já experienciei, você já experienciou de alguma forma…

6. Qual conto mais te marcou no processo de escrita?

Tenho os meus preferidos, que me levam a lugares de memórias afetivas, embora não tenham acontecido como narrados. Mas posso destacar o primeiro, João de Deus, que narra a história de um mendigo que escrevia o nome dele completo todos os dias nas folhas de um caderno velho. Foi o primeiro conto que me deu vontade de escrever todos os outros.

7. Como foi sua experiência na FLIP?

Foi de uma potência literária linda de se viver. Muitas mesas, muita gente que movimenta a escrita. É a minha segunda FLIP e é sempre interessante vivê-la porque volto pra casa cheia de ideias e com muita motivação para continuar escrevendo e compartilhando histórias.

8. Qual a importância das feiras literárias para os escritores?

Não há como ser escritor e não participar das feiras, sejam elas grandes, como a FLIP, ou pequenas. Elas são um meio de troca, de conhecer colegas da área, de conhecer coletivos… As feiras nos dão visibilidade e pertencimento. São fundamentais a meu ver.

9. E o que você aprendeu nesse processo de circulação literária?

Aprendi que sempre posso aprender mais, já que a literatura é fluida e viva.

10. De que forma a literatura dialoga com quem você é?

Um pouco dos três. Ela reflete quem sou, ela acolhe a minha sensibilidade e me faz enxergar outras perspectivas a cada escrita.

11. O que você gostaria que o leitor se perguntasse ao terminar seu livro?

“Por que esse conto mexeu comigo?” Acredito que não há como passar ileso por algumas histórias.

12. Quais são os próximos passos?

Curtir esse lançamento sem pressa. É meu primeiro livro de contos, saiu pela editora Patuá que eu tanto admiro, agora é divulgar. Sobre as redes sociais, perdi meu Instagram com 7.000 seguidores. Precisei fechar para estudar e, quando voltei, não foi possível acessar. Estou recomeçando a passos lentos. Quanto mais divulgação, melhor.

Entre a observação do cotidiano urbano e a força de temas universais, Vê, repara apresenta uma escritora que transforma detalhes em histórias cheias de intensidade. Sem pressa, mas com consistência, ela segue seu caminho literário, levando para o conto sua sensibilidade e sua visão crítica do mundo.


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Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.

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