Limbo
Não há lado se não houver lado?
Não se desfaz o nó puxando as pontas do laço?
Quem sou eu se não me enquadro?
Quem contará os meus fatos?
Não é fácil falar o que penso
Buscar ser entendido é um tormento
Mas hoje não, jogarei palavras ao vento…
Ah, já ouvi tanto, segue-se exemplo:
Educado demais para ser favelado
Culto de menos para ser da elite
Claro demais para ser preto
Pardo demais para ter privilégios
Ainda que os tenha
Mas essa culpa eu não carrego
Tanto rótulo que discrimina
Que me fizeram esquecer a rima.
Quem me resgatará deste limbo,
Ouvirá minhas dores,
Se importará com o que sinto,
E verá que a mim não há flores?
T. Guedes


Deixe um comentário