Tem gente que ama em silêncio, com medo de incomodar. Gente que deseja, mas só em pensamento. Que sonha com beijos longos, mas esquece que o outro não adivinha e o amor não sente cheiro de desejo guardado, nem escuta o que nunca é dito. Intimidade exige presença e não é só estar ao lado, é saber olhar de verdade. Em muitos relacionamentos, o problema não é a falta de amor, é a falta de presença. O toque sumiu, o olhar ficou distraído, os beijos são rápidos e praticamente inexistentes, o sexo virou só mais um item da lista de afazeres, e mesmo assim nem sempre ocorre, já que o corpo do outro virou paisagem conhecida demais para despertar curiosidade. E quando a intimidade vira silêncio, a distância cresce mesmo dormindo na mesma cama.
O desejo precisa de provocação. Ele nasce nos detalhes, no sussurro fora de hora, no olhar que demora um pouco mais, na mão que não segue o caminho óbvio. Sexo não é só pele, é intenção. É curioso como tem gente que exige atenção, mas não repara no outro. Que reclama da frieza, mas não se lembra da última vez que provocou desejo. Amor também é ação, é intenção e, desejo não sobrevive de suposições. Não adianta pedir paixão entregando rotina. Querer intensidade, mas viver no morno ou no frio. É preciso entrega e vontade! Quem ama, mas não toca, corre o risco de virar amigo. Quem deseja, mas não demonstra, acaba confundido com quem desistiu.
O que muita gente chama de “falta de química”, às vezes, é só falta de presença. Falta de coragem de dizer o que quer, de mostrar o que sente, de tocar onde antes bastava um olhar. Desejo precisa ser alimentado e não é com promessas, mas com atitudes. Com aquele toque fora de hora, com a palavra que arrepia, com o olho no olho que diz “ainda te vejo”, com o tesão que lembra que a chama ainda está viva. Como disse Bell Hooks: “O amor é um ato de coragem, não de espera”. Vinícius de Moraes também nos chama atenção ao dizer: “Amai, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido”. E Santo Agostinho completa o convite à reflexão ao dizer que a medida do amor é amar sem medida.
Há quem confunda rotina com conforto e há também quem aceite migalhas emocionais como se fossem banquetes, apenas para não admitir que o vínculo se tornou um hábito, e não mais uma escolha, mas o corpo fala e o silêncio entre duas pessoas que se amam pode dizer mais do que mil palavras. Porque, no fundo, quem quer estar junto encontra maneiras de estar inteiro. Não apenas no dia a dia, mas também na intimidade, onde o toque é mais que físico, é conexão. No final das contas vale se perguntar: Você ama no volume certo ou anda no modo silencioso, esperando que o outro adivinhe a sua frequência? Ou ainda: Será que realmente é nessa relação que você quer estar? Pense no que disse o Almir Sater: “É preciso amor pra poder pulsar”. Não viva em banho-maria. A vida é breve!
(Esse texto é da minha própria autoria- Luiza Moura de Souza Azevedo).
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