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A Culpa é das Estrelas: lucidez e afeto em meio à dor

Há histórias que se apoiam no drama e fazem dele seu combustível. Outras, mesmo cercadas de perdas e incertezas, florescem em lucidez e afeto. A Culpa é das Estrelas, de John Green, é uma dessas obras que sobrevivem ao tempo porque não tentam negar a realidade — apenas a atravessam com profundidade e humor.
O romance, que conquistou milhões de leitores e virou filme de sucesso, não é apenas sobre adolescentes com câncer. É sobre escolhas diante do inevitável. É sobre encontrar sentido, vínculo e riso, mesmo quando a vida parece determinada a roubar todos eles.

Citações do livro:

“Eu te amo no presente do indicativo.”

“Alguns infinitos são maiores que outros”.

“Todo mundo quer ter uma vida extraordinária”.

“Se você não vive uma vida a serviço de um bem maior, precisa pelo menos morrer uma morte a serviço de um bem maior, sabe?”

“A única solução seria tentar desmanchar o mundo, torná-lo negro e silencioso e inabitado de novo, voltar ao momento anterior ao Big Bang, o começo, quando havia o Verbo, e viver naquele espaço não criado e vazio sozinha com o Verbo…”

“Às vezes as pessoas não têm noção das promessas que estão fazendo no momento em que as fazem.”

A filosofia no cotidiano e o traço Visionário em recurso
“Alguns infinitos são maiores que outros”
Entre diálogos rápidos e observações inesperadas, os personagens revelam um pensamento que transcende o aqui e agora. Hazel e Gus não se limitam à sobrevivência; contemplam, questionam e ressignificam. Essa capacidade de perceber beleza e sentido mesmo em cenários adversos é típica do Visionário em recurso — aquele que se alimenta de ideias, metáforas e contemplação, mais do que de afeto imediato.
O visionário não nega a perda, mas a observa de um ponto mais alto, encontrando nela camadas de aprendizado. Ele lida com o tempo como um espaço elástico, onde até um instante pode se tornar eterno.

A leveza afetiva: Orador em recurso
“Eu te amo no presente do indicativo.”
Ao lado dessa lucidez, surge o Orador em recurso, responsável por manter a troca viva. Ele improvisa, ri e se conecta, mesmo quando a circunstância convida à retração. Gus, em especial, mantém o carisma e o calor humano como forma de resistir ao peso da doença.
O orador, quando saudável, não usa a dor para pedir atenção — usa o vínculo para compartilhar o peso e torná-lo mais leve.

O recurso apesar das circunstâncias
O que torna o livro inspirador é que, apesar do cenário — diagnósticos, tratamentos, despedidas —, seus protagonistas não permanecem presos à dor de seus traços. Eles os usam em recurso: o visionário para encontrar sentido, o orador para manter a chama do afeto. Isso mostra que adversidade não precisa significar retração emocional ou vitimismo.

Para ler, reler e discutir em sala de aula
A Culpa é das Estrelas pode ser um excelente material para professores e alunos do Ensino Médio discutirem temas como resiliência, sentido da vida e a importância de se comunicar com autenticidade. É um convite para perceber que a vida não é sobre esperar condições perfeitas, mas sobre fazer algo significativo com o que temos agora.
Mais do que uma história de amor, é um lembrete de que estar em recurso é uma decisão diária.

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Eu sou Camila Lourenço Covre, especialista em desenvolvimento humano e linguagem comportamental. Acredito que a comunicação é a chave para decifrar a alma humana e construir conexões mais profundas. Me acompanhe no Instagram: @camilaslourenco.


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