Era um dia comum, como todos os outros. Pessoas logo cedo correndo, na presa cotidiana , sem olhar para o lado, esbarrando uns nos outros sem notar a presença humana. Ela estava seguindo esse mesmo ritmo caótico e sem emoção, até que em um passo errado, tropeça e cai no chão da praça. Sem que ninguém a note, olha ao redor e percebe que as pessoas continuam correndo. Diante da situação, entende que sempre esteve só. E por um instante pensou em levantar e continuar, foi então que descobriu, não sabia o motivo da presa. Já não sonhava, apenas seguia , diante do caos psicológico que uma simples queda a levou, perguntou ao inconsciente: onde pretendo chegar ? Direcionou seu olhar para a parede e leu uma frase retirada do clássico Alice no país das maravilhas , escrita com tinta azul , que dizia: “Para quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve” .
Olá! Sou novo na revista e estou enviando um primeiro texto. Li o excelente “Tropeço” de Cris Souza e lembrei de um poema escrito há alguns anos que conversa com ele. Aí está: Ruas
(Paulo Cid)
Nas ruas do meu bairro
ando, olho e ouço.
O trânsito invade meus sentidos
e disputa com outros sons.
Pessoas seguem pelas calçadas,
poucas dão atenção à luz,
ao momento, aos sons e
às outras que vão passando.
A vida pulsa discretamente
a cada passo, cada minuto.
Desejos, alegrias e dor
fazem parte do fluxo humano
e marcam o instante efêmero.
Cada momento tem sua aura,
não a vê quem apenas quer chegar.
Mas o olhar atento vislumbra
mais do que os olhos só vêem.
Ruas artérias pulsantes são caminhos de ir e sentir. Saudações. Paulo Cid
Natural de Santo André – SP, se mudou para Feira de Santana – Ba com 5 anos de idade, desde então foi criando laços de amor e pertencimento, e se considera apaixonada pelo Nordeste. Cantora, Pedagoga e Mestra em Educação pela Universidade Estadual de Feira de Santana, professora de Atendimento Educacional Especializado- AEE na Educação Infantil, em sua adolescência foi despertando o gosto pelas artes, iniciando como cantora em uma banda formada por colegas da escola e arriscando seus primeiros versos de poesia e a produção de textos sobre o cotidiano. Por um tempo deixou de lado a escrita, até que na pandemia, inspirada pelo livro “ Quarto de despejo: diário de uma favelada “ da autora Carolina de Jesus, começou a registrar seus sentimentos e vivências através de contos e poesias, participando de algumas antologias e revistas literárias , atualmente é Colunista da Revista Entre poetas e poesias, autora dos livros Exist(ir) , Por trás da porta do meu coração e Vento que virou ventania pela Editora frutificando , e do livro Judite a Jabuti: passeio no quintal da escola editora Sunny .
Sobre
Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.
Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.
Com uma equipe formada por escritores de diferentes idades e áreas do conhecimento, buscamos sempre oferecer conteúdo de qualidade, promovendo o diálogo entre gerações e perspectivas diversas.
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