Projeto 16 Horas – Edição Jul.25 – Conto– “O galo é o dono” – Luís Amorim
Luís Amorim
O galo é o dono da capoeira e por atitude matreira de fome interesseira, pensa mandar até leira situada mais acima, qual gula que o anima no sem fim dar ordens, preenchendo seus desdéns. Obriga residentes, da capoeira seus entes a adoptarem linha, de comportamento sem farinha para com ele na crista dominadora em lista, por óbvio tão ausente e desconsideração repetente. O pintainho é que assiste e muito ainda resiste ao interminável badalo de quem canta de galo, desejando não ser herói no enredo que o mói porque cessado aparato veria ideal desiderato. Galo come tudo, querendo pinto mudo e sem fazer ondas nem marés de rondas, à espera das vagas certas para ver libertações despertas. Sente-se o pleno dono, cacarejando sem sono, descartando miséria em qualquer artéria, como se nada existisse nem valentia resistisse perante si em galo, cantar sem ralo para escoar som no adequado tom. Fica com infinitos ovos no tentar enganar povos, ao pinto começando e seguindo até bocejando ser usual trejeito vindo do seu peito. Mas nunca se cansa, na crista que amansa em jeito de vaidade e sobranceria na autenticidade. Também o jovem é ideal de verdade leal para com sociedades que anseiam liberdades, sem tocadas cedências nem trocadas coerências. E acreditam que cantoria do galo em feitoria, irá terminar breve perante brisa leve de quem verá o berro sobre o já estar perro e pronto a levar com o ferro, no perder mão de ferro, a qual nem calor serve para domar quem ferve, pinto e não só, povo na grande mó de cima e apregoando em como livre esvoaçando, a justa paz estará bem capaz no dar entrada, perfeitamente aclamada. Quanto ao galo, ficará a roer calo ou cantando sozinho, comendo linho sem mais impor o subjugar a quem tem direito ao respirar.
Luís Amorim, natural de Oeiras, Portugal, escreve poesia e prosa desde 2005. Tem já escritas cerca de 3400 histórias com 118 livros de ficção publicados, entre os quais, um primeiro em inglês, “Cinema I”, onde responde por 28 heterónimos (em prosa e poesia). Dos livros em prosa, constam vinte e oito da série “Contos”, “Terra Ausente”, “A Chegada do Papa” e dois livros de “Pensamentos”. Na poesia, igualmente diversas séries de livros têm alguns volumes, como “Mulheres”, “Tele-visões”, “Almas”, “Sombras”, “Sonhos”, “Fantasias”, “Senhoras” e o herói juvenil “Esquilo-branco”. Todos estas obras de poesia citadas, integram os designados contos poéticos, assim identificados pelo autor, aos quais se acrescentam “Lendas”, “Campeões”, “Músicas”, “Turismo”, “Palavras”, “Flores”, “27 Flores”, “Todas as Flores” e mais outros sete do universo “Flores”, onde este elemento surge em todos os enredos, como por exemplo “A ceia do bispo e outros contos poéticos”. A escrita também foi posta em narrativas poéticas, “Beatriz” (inspirada na personagem de “A Divina Comédia” de Dante Alighieri), “Paz”, “O Viajante”, “O Sino”, “A Sereia” e “O Mapa”, este com 3016 versos. Ainda a registar em poesia, “Refrões”, “Sonetos”, “Trovas” e quatro volumes de “Canções”. Dois livros foram publicados segunda vez, então com ilustrações de Paulo Pinto (“Almas”) e Liliana Maia (“Fantasias”). Tem ainda 11 livros de Crónicas e Biografias (incluindo 1 “Tempos de Oeiras”), 33 de Desporto, 1 de Art, 3 de Photos e 4 de Fotografia. Luís Amorim foi seleccionado por 476 vezes com contos, poemas e outros textos em concursos literários para antologias em livros, revistas e jornais em Portugal, Brasil, Suíça, Colômbia, EUA, Inglaterra e Bangladesh. É colunista da revista “Entre Poetas & Poesias” a partir de 2022 e integrante desde 2021 do Coletivo “Maldohorror”, onde histórias suas são publicadas em ambos os sítios, com regularidade. Desde Junho de 2024, escreve, edita e faz a revisão no jornal “A Voz de Paço de Arcos”, do qual também é o responsável pelo arquivo.
Sobre
Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.
Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.
Com uma equipe formada por escritores de diferentes idades e áreas do conhecimento, buscamos sempre oferecer conteúdo de qualidade, promovendo o diálogo entre gerações e perspectivas diversas.
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