VIVÃO, AINDA ESTOU AQUI
Tô vivão.
Dor nas costas, mas inteiro.
Pagando pra ver,
Sem esquecer das contas.
Querendo ganhar o mundo,
Mas sentindo o peso do travesseiro;
De manhã,
Cheiro de mofo, naftalina, clima de fim de festa.
A calça tá meio suja, camisa lavada,
Bate o portão, o sol na testa.
Via crucis do trabalhador, do marginal,
Bom dia, dona Maria, Seu Chico.
Vendendo tempo, pó, pedra, ganhando e tomando,
No sol, na mesa, no sinal.
Desanima,
Vida real não tem sonoplastia,
Barulho de carro, cano da moto e vendedor de fundo.
Cheiro de fumaça, salgado, cigarro G.
Mocinho,
nem sempre vence,
o diretor do filme,
nem sempre vai com sua cara,
final não é feliz.
As vezes tu que é o vilão,
Pensando que merece o pódio,
Mesmo sendo vacilão.
Mas tem alívio,
Criança correndo, música nova, jogo do seu time.
Coisa que presta e chega de repente.
O ônibus freou, lembrei que tô na ativa, meu ponto tá chegando, corpo tromba pra frente.
Era uma forma que Deus tinha pra falar,
Tipo aquele filme,
Ainda estou aqui:
Vai, levanta e anda.
Paciência e desenrolo.
Vou ficar alerta,
Boto o fone,
Vou com Racionais, Black Alien, Criolo.
Mostre-me um homem são,
aqui na cidade não existe amor,
As vezes a vida é desafio,
Outras vezes poesia alivia a dor.


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