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De Quem É a Culpa? O Grito de Marília Mendonça

Algumas músicas não são apenas românticas. São confissões. São gritos abafados, cartas que nunca foram respondidas. A canção De Quem É a Culpa?, de Marília Mendonça, é exatamente isso: um retrato cru de quem se entregou demais e, no fim, ficou sozinha com a própria dor.

Ela não canta sobre um amor que terminou. Canta sobre um vínculo que nunca foi recíproco de verdade, e isso é o que mais machuca.

Quando o afeto vira dependência (Orador em dor)

“Sou mais você que eu”
“E o meu assunto que não muda / Minha cabeça não ajuda”

O perfil emocional predominante da música é o Orador (Traço Oral) em dor. Esse traço vive a relação de forma fundida: se entrega antes mesmo de ter certeza de que está sendo amado, e por isso sofre com intensidade.

A fala da narradora revela carência profunda, dependência afetiva, busca por acolhimento que não veio. Ela culpa o outro, mas ao mesmo tempo se responsabiliza: “A culpa é sua por esse sorriso ou é minha por me apaixonar por ele?”

Essa ambivalência é própria do Orador em dor: quer colo, mas também quer ser visto, reconhecido, amado de volta. Quando isso não acontece, o que sobra é o desespero:

“Eu tô entrando no meio dos carros / Sem você a vida não continua”

Esse tipo de expressão revela o quanto o eu da música não consegue se ver fora do vínculo afetivo que idealizou.

Quando não ser escolhida vira ferida (Realizador em dor)

“Se eu mudei, você não viu”
“Ninguém entende o que eu tô passando”
“Me apaixonei pelo que eu inventei de você”

Nesses versos, surge com clareza a dor do Realizador (Traço Rígido) em dor. Esse traço emocional vive com intensidade o desejo de ser escolhido, de ser único para o outro. E quando isso não acontece, sente que perdeu mais do que um relacionamento: perdeu a validação de sua entrega, sua autoestima.

O Realizador quando percebe que foi iludido ou descartado, é tomado pela frustração. A frase “me apaixonei pelo que inventei de você” é o reconhecimento doloroso de quem criou uma imagem idealizada e, no fim, ficou só com a decepção.

A dor nem sempre começa quando o amor acaba

Recentemente, o nome de Marília Mendonça voltou aos noticiários — não por sua arte, mas por questões familiares. Sua mãe, D. Ruth, perdeu na justiça a guarda do neto para o pai da criança, em meio a acusações e disputas que reacenderam feridas públicas.

Esse episódio chama atenção não apenas pelo que expõe, mas pelo que sugere: vínculos rompidos, afetos mal elaborados, silêncios antigos que talvez nunca tenham sido curados.
E é justamente isso que a canção De Quem É a Culpa? revela com força — uma dor que parece anterior ao fim da relação amorosa, uma exclusão que pode ter raízes em um abandono emocional mais antigo.

Quando o amor não vem acompanhado de presença, validação e cuidado, o que sobra é a cicatriz de não ter sido escolhida. Às vezes, a música canta o que a história de vida nunca conseguiu dizer.

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Eu sou Camila Lourenço Covre, especialista em desenvolvimento humano e linguagem comportamental. Acredito que a comunicação é a chave para decifrar a alma humana e construir conexões mais profundas. Se você se interessa por esses temas, acompanhe meu trabalho no Instagram: @camilaslourenco.


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