Fundado no dia 24 de maio de 2024, o Instituto Histórico, Geográfico e Ambiental de São Gonçalo — IHGASG — nasceu como um gesto de resistência e renascimento. Em uma terra marcada por narrativas tantas vezes silenciadas, o Instituto surge para escutá-las, organizá-las e devolvê-las ao seu povo, com dignidade e afeto. Seu surgimento não foi fruto de uma decisão burocrática, mas sim do sonho maduro de homens e mulheres comprometidos com a memória e com a história de seu lugar de origem.

À frente da ideia, o professor Rui Aniceto acendeu a centelha inicial. Não demorou para que essa chama encontrasse abrigo em outras almas inquietas: os professores Marcelo Azeredo, Rachel Santo Antônio e Maria Nelma Carvalho Braga, nomes já reconhecidos por sua militância em prol da cultura gonçalense. Como quem costura à mão uma bandeira nova, os fundadores traçaram cuidadosamente os primeiros contornos de uma instituição que buscava não apenas recordar o passado, mas também refletir criticamente sobre ele — incluindo, em sua concepção, não só o tempo e o espaço, mas também o ambiente natural que os envolve e os molda.
Foi no acolhimento caloroso da casa da professora Maria Nelma que os primeiros encontros ocorreram, um retorno às raízes, ao afeto doméstico onde ideias florescem sem pressa. Ali, Rachel propôs que a nova entidade não se restringisse aos moldes tradicionais. Deveria abarcar também a geografia e o meio ambiente de São Gonçalo, ampliando o escopo da reflexão e da preservação. Assim nasceu a sigla que carrega não apenas um nome, mas uma visão: IHGASG.
A proposta tomava forma enquanto, ao fundo, silenciava-se o antigo Instituto Histórico e Geográfico de São Gonçalo, fundado em 1995. A tentativa de reativá-lo mostrou-se impossível, conforme apontaram os registros cartoriais. Era o fim de um ciclo e o prenúncio de um novo tempo.
Reunidos novamente na casa de Maria Nelma, os sobreviventes desse processo – Marcelo, Rachel, Rui – acolheram novas presenças: Cecília Matos Setúbal e Sérgio Toledo Rodrigues. Juntos, escolheram como símbolo do Instituto a Fonte Sonora e Luminosa da Praça Estephania de Carvalho, um monumento erguido em 1961, tempo de esperanças modernizantes, sob o governo do prefeito Geremias de Matos Fontes. A escolha da fonte, com seu movimento perene de água e luz, simboliza bem o que representa o IHGASG: memória em fluxo, cultura em brilho, vida em transformação.
Graças à generosa colaboração do pároco André Luiz Siqueira, o Instituto encontrou um lar provisório no Museu da Igreja Matriz, fortalecendo ainda mais os laços com o sagrado e o simbólico da cidade.
A sessão inaugural, marcada pela emoção e pelo comprometimento, deu início à caminhada. A diretoria provisória assumiu a missão de conduzir os primeiros passos e preparar a instituição para um futuro de raízes profundas. A escolha dos trinta patronos e a construção do Estatuto e do Regimento Interno ainda estão por vir, mas já se firmam como promessas de um alicerce sólido.
Hoje, ao completar seu primeiro ano de vida, o Instituto Histórico, Geográfico e Ambiental de São Gonçalo já pulsa como organismo vivo, movido pelo entusiasmo dos que não se deixaram abater, que não se deixaram esquecer. São guardiões do tempo e do território, homens e mulheres que entendem que a história não se escreve sozinha — ela precisa de mãos, de olhos, de vozes.
E assim, como quem planta com esperança e memória, o IHGASG se firma como semente e fruto, ecoando no presente para que o futuro possa, enfim, florescer com consciência, beleza e verdade.


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