O sexo sempre esteve no centro das discussões sociais, culturais e religiosas, sendo retratado ora como um prazer essencial à existência humana, ora como uma força perigosa e destrutiva. Mas, afinal, o sexo é um vilão ou um mocinho? A resposta, como muitas questões da psicanálise e da sociologia, depende do ponto de vista adotado…
O sexo como vilão
Desde a antiguidade, muitas culturas construíram narrativas que demonizam o sexo, especialmente quando desvinculado da reprodução ou dos valores morais vigentes. Michel Foucault, em História da Sexualidade, analisa como o poder disciplinar moldou a sexualidade ao longo dos séculos, reprimindo-a em favor de uma ordem social estruturada. Segundo ele, a sociedade moderna não apenas reprime o sexo, mas também cria discursos para regulá-lo e controlá-lo.
Freud, por sua vez, reconheceu a potência do desejo sexual, mas também destacou seu papel nas neuroses. Para ele, a repressão da libido poderia gerar sintomas psicológicos, como ansiedades e compulsões. No entanto, em certos contextos, o impulso sexual pode ser visto como um vilão quando se manifesta de maneira destrutiva, como no caso de vícios sexuais, relações abusivas ou quando é instrumentalizado para dominação e violência.
Além disso, autores feministas como Andrea Dworkin apontaram como o sexo, na forma como é estruturado socialmente, pode ser uma ferramenta de opressão, especialmente para as mulheres. A objetificação e a imposição de padrões de prazer centrados no masculino muitas vezes reforçam desigualdades e geram sofrimento.
O sexo como mocinho
Por outro lado, a visão do sexo como algo positivo e fundamental para o bem-estar físico e emocional também tem respaldo teórico. Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud, defendia que a energia sexual reprimida levava a distúrbios emocionais e que o orgasmo tinha um papel libertador e curativo. Ele via a sexualidade não apenas como prazer, mas como um mecanismo essencial para a saúde mental.
Outro nome relevante é Alfred Kinsey, que, através de suas pesquisas na década de 1940, ajudou a desmistificar tabus sobre a sexualidade humana, mostrando sua diversidade e importância para a felicidade individual. Seu trabalho foi um marco na revolução sexual do século XX, trazendo uma perspectiva científica sobre o desejo e a prática sexual.
Atualmente, a sexologia moderna destaca os benefícios do sexo para a saúde. Estudos apontam que a atividade sexual regular pode fortalecer o sistema imunológico, reduzir o estresse, melhorar a qualidade do sono e até prolongar a vida. Além disso, a sexualidade desempenha um papel fundamental na construção da intimidade e do vínculo entre parceiros.
E por fim, qual queria a verdadeira face do sexo?
Após analisadas essas duas vertentes não devemos rotular o sexo como sendo uma coisa ou outra, exclusivamente. Nem vilão, nem mocinho! Ele assume esses papéis conforme os contextos históricos, culturais e individuais nos quais se manifesta. Pode ser fonte de opressão e dor, mas também de prazer, conexão e saúde. O mais importante é entender que a sexualidade deve ser vivida de forma consciente, respeitosa e saudável, permitindo que ela exerça seu potencial positivo sem ser utilizada como ferramenta de controle ou exploração.
(Esse texto é da minha própria autoria- Luiza Moura de Souza Azevedo).
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