Nas veredas do tempo que escorre calado,
aprendi que o brilho é também disfarçado,
e a esperança, às vezes, nos mente baixinho
enquanto nos leva por torto caminho.
O riso que ontem floriu como aurora
hoje é sombra que passa e não demora,
eco vazio num quarto fechado,
lembrança amarga de um sonho frustrado.
Promessas lançadas ao vento da sorte
caíram no chão como folhas sem norte.
As palavras, que antes curavam feridas,
agora são pedras lançadas nas vidas.
A infância tão doce morreu na calçada,
de mãos com a ilusão, tão desesperada;
o futuro, vestido de falsas verdades,
trouxe o peso cruel das realidades.
Quantas vezes gritei no silêncio da noite,
e ninguém ouviu, nem mesmo meu açoite;
meus passos se perdem em trilhas sombrias,
onde sonhos sucumbem aos fins de seus dias.
Cansei de sorrir por detrás da tristeza,
de pintar meu rosto com falsa leveza,
quando dentro de mim, tudo é tempestade
e os olhos transbordam da dor que há de verdade.
Sigo, arrastando meu fardo no peito,
com cada decepção moldando meu jeito.
Sou ruína que anda, sou verso caído,
sou o eco distante de um tempo perdido.
E se um dia eu calar no meio da estrada,
saibas que vivi… mas com alma cansada.
Pois a vida, embora tenha seus brilhos e danças,
é feita, também, de sonhos sem esperanças.
Gostou?! Então, assine, gratuitamente, a nossa newsletter e receba, no seu e-mail, as publicações da revista.


Deixe um comentário