Em tempos de pressa e apagamento, Rui Aniceto Fernandes se inscreve como uma voz que ouve as camadas mais profundas do tempo. Historiador, pesquisador e professor da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, sua trajetória é uma travessia entre a ciência da História e o afeto por um território muitas vezes mal compreendido: São Gonçalo. Mas não o faz apenas com arquivos e documentos — embora os domine com rigor. Rui é um cartógrafo de memórias, um condutor de olhares, um nome que, com delicadeza e densidade, vem costurando a alma de uma cidade com os fios da pesquisa, da educação e do amor à palavra.

Doutor em História pela PUC-Rio, mestre pela UFF e graduado pela UERJ, Rui não se limita ao ofício acadêmico. Seu campo de atuação é vasto, mas sempre marcado por um desejo visceral de compreender a história como corpo vivo, como pulsação que resiste ao esquecimento. Foi coordenador institucional do PIBID/UERJ, professor dos programas de pós-graduação em História Social e no Mestrado Profissional em Ensino de História. E segue, com firmeza ética e entusiasmo intelectual, liderando o grupo de pesquisa “História de São Gonçalo: Memória e Identidade”.
Como quem escava ruínas não só para ver o que houve, mas para entender o que ainda vibra, Rui dá vida a personagens, fatos e narrativas que compõem a tessitura do cotidiano gonçalense desde o século XVI. É membro ativo do Conselho Curador do Museu da Imigração da Ilha das Flores, do Ecomuseu Ilha Grande e do Instituto Histórico Geográfico e Ambiental de São Gonçalo, do qual é atualmente membro. Já ocupou assentos em conselhos de cultura e museus, onde sua escuta atenta e seu repertório humanista são fundamentais.
Seus livros “Olhares sobre São Gonçalo I e II” (Apologia Brasil, 2022 e 2024) são como espelhos de água escura, onde se pode ver — em camadas — a cidade que foi, a que se quis que fosse e a que ainda pulsa sob o concreto e o silêncio. Neles, vozes de viajantes, geógrafos, cronistas e agentes de Estado se entrelaçam com o imaginário popular, formando um caleidoscópio histórico que convida o leitor à experiência do tempo. Não se trata de nostalgia, mas de restituição: fazer com que São Gonçalo não seja apenas um ponto no mapa, mas um sujeito de sua própria narrativa.
Em outro trabalho sensível, “Um nome e suas histórias: São Gonçalo”, Rui mergulha na figura do frade português Gonçalo de Amarante, cuja devoção atravessou o Atlântico e nomeou não apenas uma cidade, mas uma complexa constelação simbólica. Ao investigar a origem do nome da cidade, o historiador propõe também uma arqueologia de sentidos: o nome como invocação, como símbolo e como herança. Nesse ensaio, a história se contamina de mito, e o mito se adensa de história.
Mais que um pesquisador dos papéis e arquivos, Rui Aniceto Fernandes é um homem das encruzilhadas — entre academia e rua, entre saber técnico e saber ancestral, entre o historiador e o contador de histórias. Seus escritos são como fiapos de um tecido ancestral, bordados com palavras precisas, mas nunca frias. São Gonçalo, através de sua pena, deixa de ser apenas um cenário para se tornar personagem. Um corpo. Uma memória. Um futuro possível.
Na seara da história, há quem registre os feitos dos grandes. Rui escolheu a delicadeza de escutar os murmúrios da cidade esquecida — e com isso, escreveu também uma das páginas mais bonitas da própria história gonçalense.
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