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Denúncia
Renúncia
Abrir de mão de si
Do que foi
Abrir mão de sorrir
Não ter ninguém perto,
nem um: “oi”
Abrir
Rasgar
Deixar ferir
Até sangrar
Espremer
Expelir
Adoecer
Abrir, abrir, abrir
Permitir
Vomitar
Sair
Até parar
E para?
Cessa?
Acaba?
Até onde atravessa?
Abuso doi
Remoi
Corroi
Destroi
O que resta?
Gritar
Denunciar
Mais uma vez chorar
Chorar cuidando dessa vez
Cuidar
Para não perder a sensatez
A conta fecha?
Não!O medo
A solidão
Tudo tão escuro
Vazio, frio
Inseguro
O abuso é assim
Tras vergonha
Parece nunca ter fim
É culpa
É silenciamento
E do começo ao fim
Sofrimento!
No meio
A gente fica sem norte
Sem chão
Questionando a sorte
Há desejo de morte
Não posso mentir
Não para minha poesia
Das vezes que caí
Fora uma das poucas que me acolhia
Mas abri…
A mão
A porta
O coração
Cortei
Dilacerei
Até raiz, eu fui
Gelei
Não sabia onde chegaria
E o que me esperava lá
Tantas e tantas descobertas
Saio e volto, rasgo até não mais aguentar
Só não fico mais inerte
Isso não sou mais capaz de suportar!
Por Kathlyn Almeida

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