Segunda de carnaval, uma manhã cinza lá fora, o silêncio na cidade, chega na minha casa, e daqui do sofá, o cenário que vejo é de uma série na Netflix que tem como tema central o fracasso de uma mulher e sua luta para se reerguer . Pode ser clichê, mas não é sobre a série, ela também não me prendeu, na verdade é sobre como me sinto e as perguntas que surgem: por que estou assistindo? Por que não estou lendo um livro, estudando , cantando , dancançando, criando….Por que? Não sei! Na minha cabeça mil planos, estratégias, composições, projetos, nenhuma forma de colocar em prática, então optei por desistir . É o caminho mais fácil, para quem sonhou na inocência da infância em apresentar programas de TV e estar nos palcos e nos trios cantando, porém nunca acreditou no seu potencial. Será que tenho talento, ou criei essa ilusão? Por que não tenho coragem como as outras pessoas do mundo artístico? Prefiro estar nas sombras, simplesmente, sem alarme. Sempre acreditei que surpreender pela voz ou performance diz muito mais que aparência. Bobagem. Por trás dessa crença, existe o medo de não ser aceita, de ser ridicularizada. A palavra que falta é CORAGEM seguida de outra palavra ATITUDE.
Me vejo envelhecida, sonhando ainda, confesso. Mas envelhecida. O sonho virou uma lembrança do que nunca fiz . E assim os dias passam e continuo com a mesma percepção, agora com uma pergunta principal : E se?…


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