Projeto 16 Horas – Edição Fev.25 – (Conto) – “Avó de palavra” – Luís Amorim
Luís Amorim
Era uma avó de idade velhota e tinha por lema bem antigo, no dito posterior a filhos, netos e demais familiares que «Ter pouco mas com palavra dada e honrada» era nobre preceito de honra por essencial no seu percurso de vida. Talvez por isso, bastante considerada sempre fora pela aldeia toda, desde o topo ao começo de vale, onde em certos pontos havia fartura que nunca cessava, qual milagre da multiplicação agrícola. Daí até ao colocar de sacos dispostos com legumes e frutas nos degraus primeiros das escadas foi um ligeiro passo, quando tais ofertas não eram mais presenciais, à mão de efusivos cumprimentos. Ou seja, para não haver tanta repetição de prenda, ficava parte do mercado junto ao portão, em silêncio, até ser descoberta e apelidada de praça ou mesmo um celeiro na íntegra ou quase plena quantidade no somatório de fim do mês. Mas também era periodicidade essa, onde avó de trato usual, plantava árvores por jardins solicitados, os quais até pareciam dizer «A floresta toda foi plantada no jardim.» Ocasiões diversas pediam ajuda no endireitar para crescer aprumado o pomar necessitado, ou parte dele, e quando corda não havia, a vegetação tinha sempre resposta na feitura de artefactos que fossem precisos na melhor precisão que lhe desse inspiração a concluída natural corda para eficiente ajuda de trabalho no salutar campo. Sabedoria não lhe faltava, apesar de leituras não terem aparecido em devido tempo, apenas conhecendo a enciclopédia pela diária vivência. E de tudo o que bem aprendera, considerava a palavra dada mais do que suficiente relativamente ao escrito papel, desnecessário visto, antevendo mesmo que no futuro distante, tal não seria assim devido à gente, obviamente diferente. Era pois, avó de palavra, pela honra dada e recebida, inclusive considerada nunca por demais, no trato anotado e deveras elogiado, o qual certamente, perduraria pelo tempo fora em jeito de honroso tributo.
Luís Amorim, natural de Oeiras, Portugal, escreve poesia e prosa desde 2005. Tem já escritas cerca de 3400 histórias com 118 livros de ficção publicados, entre os quais, um primeiro em inglês, “Cinema I”, onde responde por 28 heterónimos (em prosa e poesia). Dos livros em prosa, constam vinte e oito da série “Contos”, “Terra Ausente”, “A Chegada do Papa” e dois livros de “Pensamentos”. Na poesia, igualmente diversas séries de livros têm alguns volumes, como “Mulheres”, “Tele-visões”, “Almas”, “Sombras”, “Sonhos”, “Fantasias”, “Senhoras” e o herói juvenil “Esquilo-branco”. Todos estas obras de poesia citadas, integram os designados contos poéticos, assim identificados pelo autor, aos quais se acrescentam “Lendas”, “Campeões”, “Músicas”, “Turismo”, “Palavras”, “Flores”, “27 Flores”, “Todas as Flores” e mais outros sete do universo “Flores”, onde este elemento surge em todos os enredos, como por exemplo “A ceia do bispo e outros contos poéticos”. A escrita também foi posta em narrativas poéticas, “Beatriz” (inspirada na personagem de “A Divina Comédia” de Dante Alighieri), “Paz”, “O Viajante”, “O Sino”, “A Sereia” e “O Mapa”, este com 3016 versos. Ainda a registar em poesia, “Refrões”, “Sonetos”, “Trovas” e quatro volumes de “Canções”. Dois livros foram publicados segunda vez, então com ilustrações de Paulo Pinto (“Almas”) e Liliana Maia (“Fantasias”). Tem ainda 11 livros de Crónicas e Biografias (incluindo 1 “Tempos de Oeiras”), 33 de Desporto, 1 de Art, 3 de Photos e 4 de Fotografia. Luís Amorim foi seleccionado por 476 vezes com contos, poemas e outros textos em concursos literários para antologias em livros, revistas e jornais em Portugal, Brasil, Suíça, Colômbia, EUA, Inglaterra e Bangladesh. É colunista da revista “Entre Poetas & Poesias” a partir de 2022 e integrante desde 2021 do Coletivo “Maldohorror”, onde histórias suas são publicadas em ambos os sítios, com regularidade. Desde Junho de 2024, escreve, edita e faz a revisão no jornal “A Voz de Paço de Arcos”, do qual também é o responsável pelo arquivo.
Sobre
Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.
Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.
Com uma equipe formada por escritores de diferentes idades e áreas do conhecimento, buscamos sempre oferecer conteúdo de qualidade, promovendo o diálogo entre gerações e perspectivas diversas.
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