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O verão que escorre pela testa

O VERÃO QUE ESCORRE PELA TESTA

Em janeiro, não tem roteiro diferente onde o verãozão castiga com mais força. Logo cedo, antes mesmo do busão passar lotado, parece que o sol já veio. Acorda às 4h e ele já está lá. Tu fica pensando que horas ele nasceu. Com o calor que fez desde o dia anterior, com mosquito voando e onde ar-condicionado é luxo, se pergunta quantas horas conseguiu dormir. A gota de suor parece nascer do topo da cabeça e escorre pela face, caindo pelo peito e se juntando a outros fragmentos de fluidos corporais já grudados na pele. Mas a vida não espera você pensar muito e logo faz com que você tenha de correr para o primeiro transporte quente do dia junto de outras pessoas já atrasadas. Atividade! Sete da matina, trampo começando, temperatura de meio de dia. Parece que o mundo nunca foi tão calor assim. As ruas têm cheiro de calor, som de calor, visão de calor. O sol vai dando moca na trabalhadora cansada. Nem quando a luz vai caindo o mormaço anda junto. Ele vai ficando, a escuridão logo vem acompanhar. Antes da lua aparecer – nesses dias, só depois das 19h – as nuvens chegam. O dia que antes era alaranjado, fica cinza, abafado, tenso, com cheiro de terra molhada mesmo antes de qualquer líquido. Quem tá correndo pra voltar pra casa espera chegar logo e fechar as janelas e tirar a roupa da corda. O parceiro que tá preso no trabalho sabe que vai ficar mais tempo ainda no ônibus; tomara que ao menos consiga sentar hoje. Infelizmente, todo mundo quer sentar, mas não tem lugar para todos. Nunca tem. A água que cai do céu maltrata as ruas esquecidas sem refrescar, não traz promessa de vida e preocupa o coração. Mas logo passa. Sempre passa. Só que o calor de casa fica, o mosquito volta, o despertador toca. De novo.

Publicado originalmente em 31 de janeiro de 2024.

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