HOJE NÃO: CRÔNICA POEMIZADA
Acordava.
Ainda no breu.
Só via o sol nascer
no meio do caminho
da segunda condução da manhã.
O vagão vinha lotado.
Cabiam 200 pessoas,
agora são 300, merda.
Tinha dia que na primeira corrida do cotidiano,
conseguia um banco pra sentar;
em outros, era pelo menos uma hora. Ainda. De pé.
Às vezes quando os primeiros raios
batiam na janela,
iluminando aquele metal escuro e abafado,
pensava que era um recado dos céus
de que o dia ainda podia ser bom.
Era como se Deus avisasse
que não tinha esquecido de nós,
apesar do mundo ignorar de vez em quando.
Essa mensagem era o suficiente
para sorrir e aguentar mais uma vez.
Os calça bege não vão fazer mamãe chorar.
Hoje não.


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