Cleia Nascimento

A Lágrima Arrependida

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A Lágrima Arrependida

Por acaso, despretenciosa,
A lágrima mira o mundo
Pela primeira vez de frente.
Vê bocas amargas de sede,
Estômagos miúdos gemendo
E sugando secos seios
De corpos desesperançosos.
A lágrima assustada, discretamente,
Esconde-se detrás da córnea
Esbranquiçada e lacrimejante
E permanece observando tudo.
Vê pés descalços em calçadas
De concreto duro e quente
Indo de um lado para o outro
Sem destino, sem futuro.
Vê mãos de todas as cores
Calejadas demasiadamente,
Sustentadas por braços cansados
Que suportam diárias dores.
A lágrima envergonha-se
Por ter desejado cair por terra,
Porque acreditou ter direito
De entregar-se ao pranto
Já que sempre imaginou
Que sofresse tanto.

 

Por Cleia Nascimento
Instagram: @cleia_textos

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Cleia Nascimento

Transformo impressões e sentimentos em versos, que florescem a qualquer momento e em qualquer lugar. Sou graduada em Letras (Português/Espanhol) pela UFF. Pós-Graduada em Leitura e Produção Textual, também pela Universidade Federal Fluminense. Atuo como professora de Língua Portuguesa e Literatura na rede estadual de educação do Rio de Janeiro. Também leciono na rede municipal de ensino de São Gonçalo. Tenho poemas publicados em algumas antologias. Contatos: e-mail cleia.chgui@gmail.com ou pelo Instagram @cleia_textos.

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