R. Mendonça Venâncio

Um pouco de realidade

Olá pessoal, como foram de Natal e Ano Novo? Espero que bem!

 

Bom, hoje eu vou deixar um pouco a fantasia e falar sobre uma das minhas realidades: a sala de aula. Mas vocês devem estar pensando em algo como: raios! De onde você tirou essa ideia maluca de trocar fantasia por sala de aula… Não tenho essa resposta ainda, mas vou falar quais foram os motivos.

 

Como alguns sabem, além de escritor, eu faço miniaturas, mapas de fantasia, streaming de jogos, trabalhos com madeira e também dou aulas de história e filosofia. Resumindo essa última parte, sou formado na primeira disciplina e imensamente apaixonado pela segunda.

 

Bom, o texto apresenta OS MEUS pensamentos a partir da vivência que EU tenho como Servidor do Estado do Rio de Janeiro. Você pode concordar ou discordar, só não pode discutir, pois tenho andado em um estado de preguiça imensa que chega junto com as merecidas férias dessa classe que sempre toma um suco, pois a cerveja está cara.

 

Sempre me perguntam se gosto de dar aulas e a minha resposta nunca mudou: sim, eu gosto, mas detesto a quantidade que tenho que ministrar para ter um salário razoável. Ficar 5 anos sem ao menos um reajuste no seu contracheque não é para fracos, mas seguimos… até quando? Realmente não sei.

 

Falam que não podemos pensar em dinheiro e que o magistério é um sacerdócio. Discordo, que o dinheiro não é tudo, nós já sabemos, mas não alimento minha família por meio de fotossíntese e a carga horária que preciso cumprir para manter tudo em ordem quase dobrou desde que comecei a servir o Estado. O desgaste mental e físico já estão estampados nos rostos de colegas que vivem apenas com essa renda. Por fim, se quisesse atuar como sacerdote estaria em um mosteiro, igreja ou outro templo e não em uma escola, mas entendo o sentido do termo empregado, belíssimo, mas não se aplica.

 

Quais as perspectivas para o futuro? Eu gosto dessas perguntas, embora nunca as responda. Da mesma maneira que não podemos mudar o passado, o futuro é uma incógnita e até onde eu sei, não tenho videntes na família. Prefiro viver o presente, sabe como é: muito esforço no que está por vir e pode nunca chegar me dá até sono.

 

Sem mais delongas, queria dizer que ontem eu tive um fim de tarde super agradável, foi um daqueles dias que você agradece por ter aberto os olhos e melhorou ainda mais quando recebi um presente de valor inestimável. Não, não era uma arte de Van Gogh, mas ainda não desisti desse presente… haha

 

Uma das minhas antigas estudantes, hoje na faculdade, me mandou um texto que desenvolveu inspirada em uma de minhas aulas de filosofia. Fiquei surpreso e quando terminei de ler, tive a sensação de estar em uma das minhas salas, com objetivos loucos e uma didática nada normal. Sou daqueles que inventam diversas maneiras de ministrar aulas, as que funcionam ficam e as que não funcionam… Bom, é só repor o conteúdo não desenvolvido e vida que segue.

 

Ficaram curiosos? Então segue o texto da caríssima Vanessa Beltrão:

 

Quais as perguntas que nos interessam?

 

Para pensarmos sobre esse questionamento é importante voltarmos aos nossos propósitos e buscar dar sentido ao que desejamos.

 

Quando falamos em relação a vida, a nossa forma de nos relacionar com o meio em que vivemos, diversos pontos de interrogação surgem em nossa mente, dominando nossos pensamentos.

 

Quando estamos na infância, nos perguntam o que vamos ser quando “crescer”, imaginamos que a vida adulta é maravilhosa, pois nela teríamos mais “liberdade”. Pensamos em não andar mais de mãos dadas com nossos pais, poder se sentar na mesa com os adultos e expressar nossas opiniões.

 

Chegando a juventude parece que os horizontes mudam, as perguntas vão mudando, suas tias perguntam cadê o namorado, quem são seus verdadeiros amigos (nessa fase ainda temos a ilusão que são muitos), sua relação com seus pais. Se torna uma busca incansável pela perfeição, por ter status, visibilidade em seus círculos sociais. Há uma corrida para saber quem é o mais popular, o mais bonito, o cercado de diversos amigos. E as perguntas que realmente nos interessam? Foram respondidas? O ciclo continua e essas perguntas continuam sem respostas e sem a devida importância.

 

Atingindo o auge, o que para muitos é a vida adulta, responsabilidades batem na porta. Carreira, vida financeira, saúde mental, estabilidade emocional e é claro, que não podia faltar, a vida social em dia… Festas, romances, fotos em lugares extraordinários com vários likes nas redes sociais. Percebeu que a vida se tornou uma lista que você precisa cumprir? E você finalizou ela? Formada aos 22, vida financeira excelente, com um combo de relacionamento amoroso perfeito, emprego divino e saúde mental na melhor forma…

 

Das perguntas que nos são feitas, ou melhor, impostas, quais realmente nos interessam?

 

Vivemos em uma sociedade que segue padrões, que nos impõe metas e quando não as atingimos somos julgados como atrasados, estranhos, fora da “casinha”. Ninguém pergunta como você é, o que realmente deseja, o que realmente te dá brilho nos olhos quando fala. Além de toda essa lista que você precisa cumprir e conquistar, parece que não há nada mais de importante.

 

Passamos por uma busca incansável de aprovações por terceiros, que esquecemos de dar a nós mesmos a nossa aprovação.

 

Queremos continuar fazendo de nossas vidas uma lista? Acredito que não… Fazer de nossas vidas uma lista é diferente de ter propósitos. Temos que buscar nossos próprios propósitos, olhar para nós primeiramente e para nossos desejos.

 

Quando desejamos muito que o outro nos olhe, esquecemos de nos enxergar, de ver como realmente somos e o que realmente queremos, deixamos de lado nossa essência.

 

Mas só teremos essas respostas sobre nós mesmos se começarmos a nos questionar sobre o que realmente importa.

 

Nos importa continuarmos estagnados em lugares que não nos levam para frente? Aceitar tudo o que acontece a nossa volta? Desistirmos sempre que estiver um obstáculo em nosso caminho? Tentar manter sempre a aparência só para dar a entender que está tudo bem? Continuar sem uma voz ativa em situações que nos incomodam? Pensar em tudo e em todos antes de pensarmos em nós mesmos?

 

Nessa exaustiva corrida para completar nossa lista, ainda não temos as perguntas que realmente nos interessam… E o mais intrigante serão as respostas para elas, quando elas surgirem.

 

Falei que fiquei emocionado quando recebi esse texto? São essas as verdadeiras dádivas que recebemos! Enquanto uns levantam paus e pedras para massacrar qualquer coisa que elaboramos dentro de uma sala de aula, cujo objetivo primo é o desenvolvimento do ser em toda a sua complexidade. Eu me orgulho daqueles que levantam livros! Que embasam argumentos com conhecimento adquirido a duras penas ou refletindo sobre a vida e a sociedade que os cercam. Refletir, pensar, estudar e criticar soam como palavrões para aqueles que cismam em achar.

 

Vanessa, parabéns pelos objetivos alcançados! Me sinto orgulhoso com o seu desenvolvimento e lembre-se: suas conquistas estão apenas começando.

 

Aos leitores, meu sincero agradecimento e que 2021 seja um ano mais que agradável.

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R. Mendonça Venâncio

Sou Pai, nerd, jogador de RPG, card e board game, escritor e professor. Artesão, desenhista, marceneiro e inventor amador. Livros: >> Eamam: O Aventureiro Novato >> Eamam: A Longa Viagem (em breve) >> Artur e os portais de Eamam (em breve)

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2 Comentários

  1. Um texto muito interessante que nos leva a refletir sobre o que realmente importa e nos toca na vida, para além do que a sociedade nós impõe.

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