Zé Salvador

ESTROFES DO MEU BORNAL

 

A nossa casa era bela,
casa de pobre é verdade,
mas tu nos fez a maldade,
hoje vejo o que revela,
os ferrolhos da janela.
Confiei não quis bulir,
tu mandava outro abrir,
dava o que era meu de fato;
EU VOU REBOLAR NO MATO
SOMENTE PARA ENCARDIR

Pedi a Deus que mostrasse
um jeito de te esquecer;
rezei, fiz por merecer,
e antes que tu voltasse
minha vida esculhambasse,
pra Deus voltei a pedir.
Dei um jeito de sumir,
com o maldito contrato.
EU VOU REBOLAR NO MATO
SOMENTE PARA ENCARDIR.

Sendo um acumulador
guardo saudades, xavecos,
sofrer, dores, guardo os ecos
dos beijos com o sabor,
guardo os sobejos do amor
mas luto pra desistir,
porém não quero me ouvir,
pois, tudo é só um relato,
EU VOU REBOLAR NO MATO
SOMENTE PARA ENCARDIR.

Mexendo numa gaveta
Eu achei uns cacarecos
Era um tanto assim de trecos:
copo, camisas, caneta;
deu na hora uma veneta…
deu vontade de cuspir
pensei tudo destruir,
principalmente o retrato,
EU VOU REBOLAR NO MATO
SOMENTE PARA ENCARDIR

Outro dia eu remexendo
numa mala velha, antiga,
me deu gastura e fadiga,
de novo fiquei me vendo
quando vivia sofrendo
vendo tudo ressurgir
parei até de bulir,
meu peito doeu de fato
EU VOU REBOLAR NO MATO
SOMENTE PARA ENCARDIR
Mote: Dalinha Catunda.
Glosa: Zé Salvador.

 

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