Marcelo Motta

VISÕES DE UM CRIME – XVII

Marcelo Motta

Em breve A FLOR & O ESPANTALHO,
o novo suspense de Marcelo Motta.

VISÕES DE UM CRIME – XVII
Marcelo Motta

Cristina deu partida no motor, após respirar profundamente por alguns minutos. Ela acelerava e acelerava, contudo, se distraiu e pegou uma estrada secundária, uma bifurcação em “Y”, isso fez com que ela se perdesse ainda mais.                                        Rodou em círculos por várias horas. Nem percebeu que se fazia a deriva como uma nave da época das grandes descobertas.

A gasolina já acabara – agora o carro seguia movido pelo gás, se não encontrasse um posto de gasolina rapidamente, além de perdida, ficaria ilhada e sem perspectiva alguma de chegar ao seu destino.

Aquele dia passou voando. O canto de uma cigarra fora de época funcionou como musica clássica. A noite se fez e o sono tomou conta de Cristina.

Ela parou próxima de uma encruzilhada, ao seu lado esquerdo havia um grande descampado, neste se fazia uma cruz bem simples, de madeira e carcomida pelo tempo.

As madeiras se faziam presas por algumas tiras de cipó. Havia um nome na cruz, que aparentava começar com a letra R, e terminava em “INA”, possivelmente seria REGINA. Tudo indicava que se tratava de uma sepultura clandestina.

As pálpebras de Cristina foram pesando naturalmente até que ela caiu, ali mesmo, em sono profundo.

Do nada se viu de olhos abertos e testemunhou três homens estuprando uma menina, depois um deles bateu na cabeça da garota com uma pedra bruta e rolaram seu corpo na direção de uma cova rasa.

A própria  Cristina se sentiu violentada, tal a brutalidade com que todo aquele ritual selvagem ocorreu.

Subitamente uma silhueta de mulher se fez sobre aquela cruzeta de madeira improvisada. Tinha cabelos longos e usava um vestido branco, de cabeça baixa, cabelos compridos e lisos.

Parecia estar triste e chorosa. A cruz de madeira havia sido substituída por uma lapide de rocha maciça com uma estranha citação em inglês. Cristina não conseguiu captar maiores detalhes da fisionomia desta moça.

Minutos ou horas se passaram e aquele súbito sonho se desfez e deu lugar a tantos outros. Cristina teve um pesadelo, somente isso, mas nada.

Nisso um repentino frio tomou conta do interior daquela pilha de sucatas sobre rodas.

Todos os vidros encontravam-se embaçados e do nada se fizeram límpidos. Cristina ainda meio sonolenta olhou para o lado e viu uma mulher pálida e reclinada com as mãos sobre o vidro do carona.

Tinha cabelos longos pretos e a pele ultrapassava o que seria uma palidez normal, seus traços assemelhavam-se longe com os de uma oriental, mas esta foi somente uma momentânea impressão, nada que pudesse ser confirmado de fato.

Cristina gelou. Seu corpo era agora como um tumulo aconchegante.

Cristina piscou os olhos e esta imagem desapareceu completamente, como se jamais nada daquilo tivesse ocorrido. Ela se viu horrorizada e deu partida no motor na mesma hora.

Tudo aquilo a arremeteu dias atrás quando teve a impressão de ver um vulto pelo vidro do box em um motel perdido no abismo do mundo…

Assim resolveu dar partida no motor naquela mesma hora. Pegou a primeira rua com que se deparou.

     Certos males vêm para o bem,  diz uma frase popular.                                                       Dezenas de quilômetros depois vislumbrou ao longe um posto de gasolina. Sorte a dela, foi o carro parar de frente para uma das bombas de combustível que tanto o gás como a gasolina se fizeram inexistentes.

Encheu o tanque e o cilindro de gás, assim, encontrava-se novamente pronta para seguir seu caminho. Fosse este qual fosse…

 

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