Erick BernardesHISTÓRIAS DE ARARIBOIA

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE SÃO GONÇALO

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE SÃO GONÇALO

 

Foi Gonçalo Gonçalves quem se ocupou das terras incultas e constituiu melhorias em parte das sesmarias das Bandas D’além. Pois é, isso se deu em 6 de abril de 1579, quando Salvador Corrêa de Sá concedeu a ele o chão outrora denominado de Ibirapitanga.

Pouco antes das onze e meia da noite, Zé Silva, que vasculhava calmamente as cercanias da Ilha de Itaoca, escutou o grito de aviso do índio Tamoio, representante de uma das várias tribos que haviam concordado em proteger a região. Decidiu conferir, tendo o cuidado de entender bem o que o guerreiro indígena sinalizava:

— Acauã é você?

Antes do Zé Silva perguntar o motivo do aviso, o índio foi logo esclarecendo:

— Avisa ao patrão Gonçalo que vi dois barcos estranhos ancorados na praia.

Mas nem precisou, desnecessário ao Zé comunicar, pois lá da casa da pedra, conforme a cabana de Itaoca era chamada, o sesmeiro de Ibirapitanga entendeu a língua do guerreiro nativo e verbalizou:

— Junte os homens e os cães que isso tá me cheirando a invasão pirata.

Urgia então verificar o movimento às margens da parte oriental da Baía da Guanabara. Sim, foi um tempo em que não cabia distração, vigilância total.

Versado nas práticas de desconfiança com as quais fora acostumado, o pioneiro da futura Freguesia de São Gonçalo se embrenhou na mata com seus cinco homens de fé e esperou anoitecer. Esperto, colonizador sagaz, em meio à escuridão os umbrais da floresta configuravam fortaleza, quando ao longe avistou as duas embarcações. Havia luz no convés do barco da direita. Estava mais clara também uma parte da proa da mesma nau. A voz de Gonçalo saiu sussurrada, mas firme, e ordenou:

— Eu e o Zé Silva nos aproximaremos pela lateral, Acauã, Pipira e Ariri vão pela frente, o resto entra no mar e ataca pela retaguarda.

E assim se fez, mas não houve reação, a passividade dos tripulantes surpreendeu principalmente aos índios. Nunca viram homens brancos tão pacíficos como aqueles. E sabe por que essa falta de reação? Porque aqueles que vieram nos navios eram os tão esperados primeiros colonos que desenvolveriam, junto a Gonçalo Gonçalves, a sesmaria, onde mais de quatro séculos depois viria a constituir o nosso querido município de São Gonçalo.

E terminou assim, a cena na qual indígenas aliados e portugueses apertaram as mãos e trocaram sorrisos sinceros em terras gonçalenses.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Erick Bernardes

A mesmice e a previsibilidade cotidiana estão na contramão do prazer de viver. Acredito que a rotina do homem moderno é a causadora do tédio. Por isso, sugiro que façamos algo novo sempre que pudermos: é bom surpreendermos alguém ou até presentearmos a nós mesmos com a atitude inesperada da leitura descompromissada. Importa (ao meu ver) sentirmos o gosto de “ser”; pormos uma pitadinha de sabor literário no tempero da nossa existência. Que tal uma poesia, um conto ou um romance? É esse o meu propósito, o saber por meio do sabor de que a literatura é capaz proporcionar. Como professor, escritor e palestrante tenho me dedicado a divulgar a cultura e a arte. Sou Mestre em Letras pela Faculdade de Formação de Professores da UERJ e componho para a Revista Entre Poetas e Poesias — e cujo objetivo é disseminar a arte pelo Brasil. Escrevo para o Jornal Daki: a notícia que interessa, sob a proposta de resgatar a memória da cidade sob a forma de crônicas literárias recheadas de aspectos poéticos. Além disso, tenho me dedicado com afinco a palestrar nas escolas e eventos culturais sobre o meu livro Panapaná: contos sombrios e o livro Cambada: crônicas de papa-goiabas, cujos textos buscam recontar o passado recente de forma quase fabular, valendo-me da ótica do entretenimento ficcional. Mergulhe no universo da leitura, leia as muitas histórias curiosas e divertidas escritas especialmente para você. Para quem queira entrar em contato comigo: ergalharti@hotmail.com e site: https://escritorerick.weebly.com/ ou meu celular\whatsapp: 98571-9114.

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