Erick BernardesHISTÓRIAS DE ARARIBOIA

Os namorados feios da praia de Itaipu

Série: Histórias de Arariboia

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Jamais se desvendou a fórmula de amar. Entretanto, mais provável que seja a beleza. Isto é, quase certo que os feios invistam nos bonitos e estes aceitem seus cortejos. Mas naquele dia a praia estava lotada e o fenômeno se deu diferente. Sim, verdade, no meio da muvuca de banhistas tostando ao sol eu vi um amor diferente: dois feios se afastando para se beijarem.

Naquele dia, um moço feio levou maliciosamente a sua também feia namorada ao topo de uma pedra com vista para a borda do mar. Para os que desconhecem, o nome Itaipu decorre da língua tupi e quer dizer pedra onde a água faz barulho. Exato, nome poético, palavra linda de índio, e que virou nome de usina lá no Sul do Brasil, mas também por aqui se criou o distrito de Niterói. Isso mesmo, no estado do Rio de Janeiro, na Cidade Sorriso: Ita (pedra) + i (água) + pu (barulho). Maravilha, as nossas raízes batizando o lugar devido à agressividade das ondas. Por aí o leitor já intuiu o susto que de fato aconteceu.

O caso é que, lá no sul do Brasil, o barulho se dá por causa das cachoeiras a estrondarem e oferecerem a energia elétrica nossa de cada dia. Porém, aqui para os lados de Niterói, é a praia aquela a bater nervosa nas rochas circundantes. Justamente. Mar revolto e não raramente agressivo, dando o seu recado por lá. No meio de todo esse espetáculo natural, eis que surge um casal namorador. Sim, eu juro, em cima das pedras eles se beijavam sofregamente. Pausa para selfie, outro beijo. Na sequência, a onda malévola resolve estragar os amassos dos namorados. Incrível como o véu de espuma se lançou sobre os dois e cantou na pedra. Verdade, o ruído do chuá chuá da maré atrapalhando o casal perturbou também o meu juízo. Ei, ei, guarda-vidas, tem um casal se afogando no mar! É como se as ondas dissessem irritadas, saiam da minha pedra e entrem aqui nas águas pra vocês verem a cambalhota que lhes dou.

Pois é, a culpa é da pedra onde a arbitrariedade da água avulta. Oceano fazendo a rocha cantar. Quase morreram com a água de sal. Coitados. E os feios se salvaram.

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Erick Bernardes

A mesmice e a previsibilidade cotidiana estão na contramão do prazer de viver. Acredito que a rotina do homem moderno é a causadora do tédio. Por isso, sugiro que façamos algo novo sempre que pudermos: é bom surpreendermos alguém ou até presentearmos a nós mesmos com a atitude inesperada da leitura descompromissada. Importa (ao meu ver) sentirmos o gosto de “ser”; pormos uma pitadinha de sabor literário no tempero da nossa existência. Que tal uma poesia, um conto ou um romance? É esse o meu propósito, o saber por meio do sabor de que a literatura é capaz proporcionar. Como professor, escritor e palestrante tenho me dedicado a divulgar a cultura e a arte. Sou Mestre em Letras pela Faculdade de Formação de Professores da UERJ e componho para a Revista Entre Poetas e Poesias — e cujo objetivo é disseminar a arte pelo Brasil. Escrevo para o Jornal Daki: a notícia que interessa, sob a proposta de resgatar a memória da cidade sob a forma de crônicas literárias recheadas de aspectos poéticos. Além disso, tenho me dedicado com afinco a palestrar nas escolas e eventos culturais sobre o meu livro Panapaná: contos sombrios e o livro Cambada: crônicas de papa-goiabas, cujos textos buscam recontar o passado recente de forma quase fabular, valendo-me da ótica do entretenimento ficcional. Mergulhe no universo da leitura, leia as muitas histórias curiosas e divertidas escritas especialmente para você. Para quem queira entrar em contato comigo: ergalharti@hotmail.com e site: https://escritorerick.weebly.com/ ou meu celular\whatsapp: 98571-9114.

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