Marcelo Motta

INTRODUÇÃO – (PARTE-II)

Marcelo Motta

 

INTRODUÇÃO – (PARTE-II)

 

     Era uma vez uma Tartaruga que nadava constantemente nas águas de  um determinado rio, certa vez, em um dia, não me recordo agora se era primavera ou verão, porém, entre um ir e vir de margem para margem, a tartaruga se deparou com um Escorpião. Este disse a Tartaruga:
    – Boa tarde dona Tartaruga – Ele abriu aquela boca cheia de nada, com um baita sorriso.
    E a Tartaruga, ingênua e inocente respondeu:
   – Boa Tarde. Posso ajudar de alguma forma?
   Era tudo o que aquele escorpião queria ouvir. Ele respondeu de estalo.
   – Creio que sim. Será que você poderia me levar nas suas costas até o outro lado deste rio?
    A Dona tartaruga era pura de coração, mas nem por isso era uma completa ignorante. Sabiamente ela respondeu:
   – Só se for em sonhos!
    E o sórdido escorpião respondeu dando uma de João sem braço.
    – Ora essa! Mas porque isso?
    – Eu conheço sua fama… – Disse a Tartaruga
    – Como assim? – Respondeu aquele serial killer da natureza.
    – Vamos imaginar que eu te leve, antes mesmo de chegarmos no meio do caminho, você vai me matar com uma estocada desse seu ferrão cheio de veneno.
    – Ora essa! Pensa direito. Se eu te matar eu também morro, pois não sei nadar.
    Havia lógica naquele argumento, E depois de muito blá-blá-blá de ambos os lados, a Dona tartaruga resolveu satisfazer aquele pedido de ajuda.
    – Está bem… eu te levo, mas somente se você prometer ser meu amigo de hoje em diante?
    E o nefasto ser do mal respondeu?
    – Pode me considerar seu mais novo amigo.
    – Então sobe ai que eu te levo. Não me custa nada mesmo.
    E o Escorpião com um ar de soberba obedeceu prontamente a Dona Tartaruga.
    E aos poucos ela foi cruzando o rio sem mais nenhum empecilho;
    Entretanto, em determinado ponto daquela travessia a Dona tartaruga sentiu uma profunda dor, era como se uma lança houvesse penetrado seu escudo.
     Dona Tartaruga já ia perdendo a noção da realidade, angustiada já com o ar lhe faltando, ela virou a cabeça para trás e para cima e viu o ferrão do escorpião cravado quase que totalmente em seu casco.
    – Mas, você não disse que era meu amigo? Porque você fez isso; Agora ambos morreremos? Eu confiei em você! Por que você fez isso, 
    – Uma coisa não muda outra, mas é simplesmente porque essa é a minha natureza, e dela não posso fugir.
     E a Tartaruga morreu envenenada, enquanto o mesmo acontecia com o Escorpião que morria afogado. (1)

     O Outono não é cruel por deixar as folhas das árvores caírem e morrerem, esta é apenas sua natureza.
    Vamos inverter a ordem e imaginemos que o corpo seja a mão e que a alma seja a luva, e assim, sejam das mesmas dimensões, e que, portanto, uma se encaixa perfeitamente na outra, adequando-se, ajustando-se a cada sutil contorno daquela que a reveste.
     E vem o vento, feito a alma, beija as pétalas da flor, como esta fosse o corpo, retira dela seu perfume, (suas sensações e aprendizados), e o transporta com ele, para o outro lado do existir. Neste caso, leva o perfume a outros lugares, para que outras pessoas possam do mesmo usufruir, é assim que a alma se comporta; pega seu perfume e o transporta para beneficiar não somente a si mesma, porém, todos que, de um modo geral, norteiam sua existência, pois aprendemos com o corpo físico os mistérios que ora e vez a alma revela ao mesmo.
     Um artista plástico tão somente produz cria esculturas e concebe pinturas, graças à sensibilidade que sua alma lhe transmite. Um escritor somente escreve seus livros fantásticos, graças ao envio da sensibilidade e aforismos que sua alma permitiu emanar para a matéria podre do corpo físico.
     O corpo é o templo, a alma seu sacerdote. Imaginemos que uma vela acesa seja o corpo humano e que a chama que desfila incansavelmente pelo pavio da vela, seja a alma, e que, portanto, neste ínterim, ambos estejam algemadas a mesma natureza.
      A vela vai gradativamente queimando, a chama ora agiganta-se de forma intensa, ora ínfima, até que inevitavelmente a vela se extingue e simultaneamente a chama se finda.

     Assim, o corpo morre e a alma segue na sua viagem rumo ao infinito, partindo para o desconhecido que a aguarda, buscando outro plano de existência, outro estágio de evolução, um degrau a mais a ser galgado na infinita escada do existir.
     Tudo o que fazemos. O modo como agimos, pensamos. Toda nossa vida encontra-se atrelada ao nosso passado, entretanto, o futuro é a única e verdadeira aventura.
Corpo e alma estão separados por uma tênue neblina… Um véu transparente… Uma copa de árvore que baila ao sabor da brisa. Um rio que corre às margens da luz e da escuridão – por trás da cortina da existência. Mas devemos entender e se possível interiorizar em nossa mente que a alma não é elástica, maleável. Ela funciona mais como um espelho que reflete as nuances do nosso interior, entretanto, não é necessariamente dessa forma no seu todo.
     Um ovo sem nada no seu interior não é um ovo, é simplesmente uma casca vazia, assim, como não pode haver ninguém que ande, pense, fale; que goze do quinto milagre, ou seja, que respire e viva neste mundo sem ter sua própria alma.
     A alma é a essência do que somos, é ela que caracteriza cada um de nós com cada uma de suas sutis diferenças, mas também é tudo de mais vulnerável que possuímos e ao contrário do que muitos já pensaram, não é mortal, porém, ultrapassa a barreira de toda e cada dimensão, seja nesta ou qualquer outra realidade. É inerente, permanente e irrefutável, porém, é mais valiosa do que podemos supor e mais forte e poderosa do que pode ser cogitado.
      A alma não pode ser vista como a argila que é modelada e ganha esta ou aquela forma, não pode ser triturada como um naco de carne, porém, infelizmente pode ser espancada e torturada, entretanto nunca destruída, nem pelo próprio anjo negro da morte, da mesma forma que não há como apagar as chamas do inferno nem mesmo velejar pelo mar de nuvens do infinito céu azul.  
     A alma soma-se a si mesma, expande-se e navega nas ondas de um mar chamado evolução.  Somos a própria energia… conexão da alma mente e corpo!!!                              Enquanto o corpo é palpável e podre a alma é abstrata e intangível. Já foi dito que o espaço é a fronteira final, entretanto, é por ele e através dele que a ALMA realiza suas viagens, suas incursões, prosseguindo na sua missão fundamental, que é a de encarnar em novas civilizações, explorar e oferecer novos horizontes de saber, dando o fôlego de sua existência a novos raças e espécies, imiscuindo-se de forma audaz aonde nenhuma outra forma de vida jamais foi…

(Continua)…

1 – Esta é uma livre adaptação da clássica história do escorpião que pede

a um sapo que o leve através de um rio.

A autoria desta história é atribuída a Giancarlo Livraghi,

porém não há nada que confirme esta informação.

 

Extraído do Livro A SEMENTE DO EXISTIR (Capitulo 02)
da autoria de Marcelo Motta.
Protocolo do Requerimento Nº 2018RJ__380 (459 folhas/Páginas).
Dados do requerente: Marcelo Jorge Pires Motta (Autor).
Esta obra foi devidamente registrada pela autoridade competente.
Portador da matricula SIAPE: 2062005 na data de 09 de maio de 2018.

OBS: Estou procurando uma Editora
que possa me oferecer o contrato padrão de dez por cento de capa,
para a realização deste e de outros livros da minha autoria.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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